Atividades na Câmara marcam 50 anos do Golpe Militar

Atividades na Câmara marcam 50 anos do Golpe Militar
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LivroRubensPaiva1O dia 1º de abril foi marcado por atividades para lembrar os 50 anos do Golpe Militar no Brasil. Sessão solene, atividades culturais, homenagem aos deputados cassados pelo regime militar e um ato realizado pelas lideranças do PCdoB, PT e PDT fizeram parte da agenda. 

 

 

O dia 1º de abril foi marcado por atividades para lembrar os 50 anos do Golpe Militar no Brasil. Uma sessão solene, marcada por polêmicas, foi realizada pela manhã. Uma faixa saudando os militares foi aberta nas galerias. Os parlamentares e convidados se manifestaram contra a faixa. A deputada Luiza Erundina (PSB/SP), autora do requerimento da sessão, voltou a defender a revisão da Lei de Anistia (6.683/79), para que possam ser punidos os agentes públicos responsáveis por crimes comuns cometidos durante a ditadura, como tortura, assassinato, desaparecimento de corpos e estupros.

Erundina enfatizou que o direito à verdade e o direito à justiça permanecem não restaurados no País. Ela defende a revelação de toda a verdade sobre as violações dos direitos humanos durante o período da ditadura, e o julgamento e a punição de todos os responsáveis por esses atos. “Só então essa página da história poderá ser virada”, completou.

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O presidente da sessão, deputado Amir Lando (PMDB-RO), decidiu encerrar o evento diante da recusa do plenário em virar de frente para ouvir o discurso do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), favorável ao período da ditadura militar. Deputados e outros convidados viraram de costas quando Bolsonaro começou a discursar. “Ao defender o golpe que cassou direitos políticos, torturou e matou opositores, Bolsonaro e seus seguidores debocham da democracia”, disse o deputado Gustavo Petta (PCdoB/SP).

Denúncia pela arte

Às 16h a Comissão de Cultura iniciou mais uma edição do ato Manifestos Culturais sob o tema “Ditadura Nunca Mais”. O grupo Commune Coletivo Teatral apresentou uma esquete onde entrevistaram uma cinquentenária e retrógrada “Sra Ditadura”. A cantora Marcia Short cantou junto com o público clássicos com o Cálice e Para não dizer que não falei das flores. Para encerrar Raimundo Sodré, cantor baiano perseguido na ditadura militar, deu o seu recado.

“No dia em que se descomemora a instalação da ditadura no Brasil, a expressão da identidade do nosso povo, que é a força da sua expressão, veio aqui marcar essa data para que nunca mais se repita. A cultura brasileira não podia ter atitude diferente”, disse a deputada Luciana Santos.

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“Foram inúmeras as manifestações de resistência, que não se intimidou e foram muitas formas na composição de música, na literatura, nas artes cênicas e os artistas foram às ruas travar a luta política. Por isso, nos 50 anos de descomemoração, a iniciativa da comissão fortalece a perspectiva da cultura que é emancipar e chegar junto ao povo para afirmar bem forte da esperança de transformação e das reformas de base”, explicou Luciana.

Rubens Paiva, Presente!

Em seguida as lideranças do PT, do PCdoB e do PDT na Câmara dos Deputados e no Senado realizaram uma sequência de eventos com o tema “50 Anos do Golpe de 1964 – Atos em Homenagem à Resistência e Luta pela Democracia”. O ex-deputado Rubens Paiva, desaparecido político, foi homenageado com aposição de busto e lançamento do livro sobre a sua vida parlamentar.

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De Brasília;
Ana Cristina Santos

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