Bahia: Encontro de Organização reflete sobre o real papel do PCdoB

Bahia: Encontro de Organização reflete sobre o real papel do PCdoB
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Com o intuito de debater o papel do partido no momento atual e encerrar o intenso debate promovido na Bahia em torno do projeto de resolução da 10ª Conferência Nacional do PCdoB, foi realizado neste sábado (15), o Encontro Estadual de Organização do partido na Bahia, no Hotel Vilamar, em Salvador. O evento contou com a presença da próxima presidenta nacional do PCdoB, Luciana Santos, e militantes das mais diversas localidades da Bahia.

Luciana Santos durante sua intervenção no Encontro Estadual de Organização Da BahiaLuciana Santos durante sua intervenção no Encontro Estadual de Organização Da Bahia Antes da realização do ato estadual, o PCdoB na Bahia organizou 10 encontros nas Macrorregiões, quando estiveram reunidos 1.115 quadros comunistas de 166 municípios. Esses encontros fortaleceram a organização do partido, que teve a chance de intensificar o acompanhamento dos quadros e mapear mais de 50 cidades onde o PCdoB tem chances em apresentar candidaturas majoritárias em 2016.

De acordo com a secretária Estadual de Organização, Daniele Costa, além de tratar da Conferência Nacional, o encontro aborda a luta contra as forças conservadoras, que derrotadas nas eleições de 2014, tentam o golpe. “Ainda temos de lutar contra essas forças no Congresso com as bancadas da arma, da bíblia e dos empresários. Precisamos garantir um estado laico e de direito. Estamos aqui para convocar os comunistas para enfrentar essa luta também nas ruas.”

Sobre a presença do PCdoB nas mais diversas áreas da sociedade, Daniele Costa elencou a participação comunista na área acadêmica e luta de ideias, com dois pró-reitores na Universidade Federal da Bahia e a vice-reitoria da Universidade Estadual da Bahia. “Na luta social também temos uma grande marca, a CTB, que é a central que mais cresce e tem presença nos principais sindicatos. Na área institucional não é diferente, estamos com três deputados federais e mantivemos nossos três deputados estaduais.”

Novo desafio

Presidente Estadual do PCdoB, o deputado federal Daniel Almeida elogiou a escolha de Luciana Santos para presidir nacionalmente o partido. “A sucessão foi tratada no coletivo, com muita discussão e solidez. Após um ano e meio da realização do nosso congresso, finalizamos a etapa da escolha do novo presidente do PCdoB. Temos muito orgulho da nossa militância baiana e fortaleceremos aqui a gestão de Luciana. Vamos ajudar a colocar o partido nessa etapa nova, nesse novo desafio.”

Segundo o parlamentar, a trajetória de Renato Rabelo, na sucessão da presidência nacional de João Amazonas, foi exemplar. “Deu muito certo, Renato deu orientação e diretriz ao PCdoB. Agora, a Comissão Política Nacional vai apresentar o nome de Walter Sorrentino para a vice-presidência do partido. O PCdoB entra em uma nova era.”

Daniel afirma que, às vésperas da eleição de 2016, é fundamental o partido entender a conjuntura atual e ampliar sua participação. “Vamos preparar a militância para disputar mais espaços de poder. O desafio é construir chapas próprias nos municípios prioritários. Além de manter as 13 prefeituras, precisamos disputar cidades de portes médio e grande. Já estão definidas as cidades de Barreiras, Itabuna, São Sebastião do Passé, Vitória da Conquista e Salvador.

10ª Conferência Nacional

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A deputada federal e nova presidenta nacional do PCdoB, Luciana Santos, apresentou o projeto de resolução da 10ª Conferência Nacional e elogiou a atual do partido na Bahia. “Desde a época de militante estudantil, sempre admirei a organização do PCdoB aqui. A Bahia sempre primou por valorizar e formar quadros intermediários que foram grandes referências para mim. É o comitê que mais contribuiu com a presença do partido no Parlamento com três deputados federais, e tem muitos membros no Comitê Central.”

Sobre a Conferência Nacional, Luciana afirmou que será tratada a sucessão da presidência do PCdoB, mas também haverá a análise do momento atual. O projeto de resolução é dividido em três partes: avaliação do contexto mundial; conjuntura nacional e específica; e construção partidária.

“Temos de perceber a dimensão da gravidade política que vivemos no Brasil e definir estratégias para vencermos o combate de ideias. Ainda tem os monopólios de comunicação, que são grandes opositores dos partidos de esquerda”, avalia Luciana ao revelar que, apesar de existirem críticas ao PT, o PCdoB está convicto das suas decisões e vai às ruas defender o mandato da presidenta Dilma e da democracia brasileira.

Por esses motivos, o PCdoB participa da construção de uma frente ampla, que defenderá os trabalhadores, a Petrobras, o patrimônio nacional, a economia e o fim do financiamento privado de campanha. “Nessa frente, vamos enfrentar a crise com o tripé para o acumulo de forças: a luta social, a luta institucional e a luta de ideias”, declara.

A futura presidenta do PCdoB afirma que, mesmo o partido estando na legalidade contínua há apenas 30 anos, tem ocupado importantes espaços de disputa e poder. “Conquistamos o governo do Maranhão com Flávio Dino, temos a senadora Vanessa Grazziotin, são 13 deputados federais comunistas, 57 prefeitos, mais de 100 vereadores. Tudo isso é reflexo da nossa militância.”

Sobre a sucessão da presidência do partido, Luciana afirmou que Renato Rabelo cumpriu papel relevante após a gestão de João Amazonas e conduziu o PCdoB com clareza e a firmeza que lhe é peculiar. “Nesses 13 anos da presidência de Renato, o partido se manteve no rumo, na sua perspectiva revolucionária e socialista. Espero honrar a confiança de todos vocês”, finalizou.

Contribuições

Após as falas iniciais, foram abertas as inscrições para as contribuições dos comunistas presentes. Ex-deputado estadual e atual secretário do Trabalho da Bahia, Álvaro Gomes disse que esse é o momento de unidade do partido e dos setores democráticos para que a democracia avance. Segundo ele, o PCdoB precisa conquistar mais prefeituras e mais vereadores, crescer o número da militância, mas com a condição de desenvolver a parte ideológica.

A deputada federal Alice Portugal afirmou que “esse é o momento de lutar contra uma pauta regressiva na política com ameaças de golpe, contra a pauta regressiva no trabalho com a proposta de terceirização, e contra a pauta regressiva de setores que querem impor construções de relações que não são laicas.”

Davidson Magalhães, também deputado federal, declarou que “o partido tem tido experiências positivas no Poder Executivo, com as participações dos prefeitos na construção do nosso projeto e no apoio ao projeto de desenvolvimento que acreditamos. Temos que consolidar o PCdoB ampliando-o. Um partido pequeno não transforma politicamente o cenário. Por não sermos um partido grande, não temos forças para impor a nossa compreensão e ideologia no centro dos discursos das casas parlamentares. Temos ainda uma pequena influência nessa força política que estamos participando”.

O vereador de Santa Cruz Cabrália, Cacique Aruã, destacou a necessidade da demarcação das terras indígenas. “O Executivo quer passar para o Legislativo o poder desta ação. Mas, se isso acontecer, a demarcação nunca vai ocorrer. Precisamos que o partido possa defender esta bandeira. As lideranças políticas estão sendo assassinadas. Temos que ficar atentos na defesa deste direito. Unir forças pelos direitos sociais e trabalhistas”.

O encontro contou com a fala de diversas lideranças comunistas no Estado e um debate sobre a as atividades da Secretaria de Organização. Estiveram presentes na iniciativa, prefeitos e vereadores do partido, os secretários estaduais de Administração e Finanças, Péricles de Souza, e de Comunicação, Geraldo Galindo, o presidente da Embratur, Vicente Neto, o presidente da CTB Bahia, Aurino Pedreira, entre outros.

Ana Emília Ribeiro
Para o Portal Vermelho/Salvador