Brasília tem pré-estreia de filme sobre a vida de Francisco Brennand

Brasília tem pré-estreia de filme sobre a vida de Francisco Brennand
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O longa mostra o universo do pintor, escultor e ceramista pernambucano Francisco Brennand, que aos 85 anos decide romper o silêncio para revelar os segredos de sua arte e sua vida.

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Brasília recebe na noite desta terça-feira (19), a pré-estreia do documentário Francisco Brennand. O longa mostra o universo particular do pintor, escultor e ceramista pernambucano Francisco Brennand, que aos 85 anos decide romper o silêncio para revelar os segredos de sua arte e sua vida dentro da Oficina Brennand. 
 
Os convidados serão recepcionados pela diretora Mariana Brennand Fortes no Espaço Itaú de Cinema, no shopping Casa Park, às 21h30. O filme — vencedor do Prêmio Itamaraty de melhor documentário e do Prêmio ABRACCINE de melhor filme — entra em cartaz  a partir do próximo dia 22 de março. 
 
O Artista
 
Francisco Brennand trabalha há mais de 40 anos em seu atelier-Oficina, localizado na Várzea do Capibaribe, um bairro distante do centro da cidade do Recife. Incansável, aos 85 anos ainda trabalha todos os dias. De segunda a domingo. Se recusa a sair de sua Oficina. Quem quiser encontrá-lo, precisa ir até lá. Foi na reclusão que Francisco encontrou abrigo para realizar seu work in progress, a Oficina Brennand. Um museu a céu aberto, que abriga mais de 3 mil obras em pintura e cerâmica e, é visitado por mais de mil pessoas por mês.
 
 Ao longo do tempo Francisco se tornou apenas “Brennand”, artista mundialmente conhecido pela monumentalidade e grandiosidade de sua obra em cerâmica. Considerado por muitos polêmico, controverso, pornográfico, inacessível. Tamanho isolamento e reclusão distanciaram Francisco do público, de seus pares, e da critica, que podem desfrutar de sua obra, mas não tem fácil acesso a ele. Muito se fala sobre Brennand, sem que se conheça quem ele é.
 
 Em sua solitária jornada, Francisco Brennand escreveu um diário. Começou aos 22 anos, quando viajou para Paris sonhando seguir a carreira de pintor. Viajou barbado, carregando um livro verde embaixo do braço onde passaria a narrar suas aventuras. Com o passar do tempo, seu diário se transformou no fiel depositário de seus desabafos e companhia nas intermináveis horas de solidão. O livro verde ainda existe. Assim como mais de duas mil páginas escritas de próprio punho ao longo de 60 anos.
 
Nos anos 90, Francisco chegou a publicar pequenos trechos no Diário de Pernambuco, mas o conteúdo maior ainda permanece inédito. Ele escreveu o diário como um documento importante que poderia, no futuro, esclarecer quem era, o que pensava e o que pretendia Francisco Brennand. Essas páginas abrem a porta para seu universo interior e revelam as intenções do artista. 
 
O Livro e o Diário
 
Em 2012, Francisco Brennand teve o conjunto de sua obra reunido no livro “O Universo de Francisco Brennand”, Editora G. Ermakoff, com prefácio de Ferreira Gullar e texto de Alexei Bueno. O livro ainda conta com uma cronologia ilustrada, trechos de seu diário e os principais textos críticos escritos sobre sua obra. 
 
A publicação é fruto da pesquisa e da catalogação da obra escultórica e pictórica do artista coordenada pela diretora ao longo dos 10 anos de convivência com o artista. A última etapa do projeto é o lançamento dos Diários de Francisco Brennand: O Nome do Livro e O Nome do Outro, nos quais o filme é baseado.