Câmara debate projeto de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Nordeste

Câmara debate projeto de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Nordeste

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A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI), discutiu na tarde desta terça-feira (7), o cenário das iniciativas para a promoção do desenvolvimento científico e tecnológico na região Nordeste. A audiência atendeu requerimento dos deputados JHC (SD/AL), Hélio Leite (DEM/PA) e da deputada Luciana Santos (PCdoB/PE), que é relatora da subcomissão especial que analisa o tema.

O objetivo da reunião foi mapear os programas já existentes na região e levantar as demandas da área, especialmente para subsidiar os trabalhos da subcomissão. Para a deputada Luciana Santos a iniciativa possibilita revelar as preocupações dos gestores no sentido de traçar a política de ciência, tecnologia e inovação nos estados.

O secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Jailson de Andrade, falou em nome do Ministério e defendeu que o Nordeste adote uma agenda de políticas que supere os problemas de escassez e respeito às potencialidades de cada estado. “A agenda que o Nordeste precisa é a agenda do futuro, porque a atual ainda é a agenda da escassez, em torno da falta de água, alimento, educação”, apontou o secretário.

A iniciativa dos governadores nordestinos para construir uma agenda comum para o desenvolvimento da região também foi ressaltada durante a audiência. A mobilização inclui a realização de estudos voltados ao desenvolvimento de estratégias de superação das desigualdades regionais.

O secretário da Ciência, Tecnologia e Educação Superior do Ceará, Inácio Arruda, lembrou que a agenda comum com o MCTI originou discussões mais amplas, como o 4º Encontro de Governadores do Nordeste, marcado para 17 de julho, em Teresina, cujo tema envolve também as pastas federais da Justiça, da Previdência Social e da Saúde. Ele defendeu a continuidade na aplicação dos recursos de pesquisa e disse que é preciso reforçar a presença da SUDENE junto às instituições que mais financiam pesquisas.

“Nós queremos ampliar os investimentos em ciência e tecnologia no Nordeste, por conta dessa necessidade absoluta de transformarmos essa nossa região”, disse. “O Nordeste tem um potencial muito grande, que tem crescido com a ampliação da base de formação superior.”

Pablo Viana, secretário da Ciência, da Tecnologia e da Inovação de Alagoas, defendeu o apoio para que o pesquisador se afaste temporariamente da universidade para que experimente seu invento no mercado. Ele acredita que “a sociedade não tem mais como esperar que o conhecimento gerado na universidade fique limitado aos muros dos campi, e a ideia dos parques tecnológicos é a necessidade de aproximar a academia das cadeias produtivas”.

O entendimento de que a produção acadêmica deve transpor os muros da academia, aliás, foi um consenso entre os debatedores. Outro tema enfatizado no debate foi a necessidade de ampliar o número de Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) e de unidades de pesquisa nos estados. No caso do Maranhão, representado pelo secretário Bira do Pindaré, há contradição entre o grande potencial estratégico da Base de Alcântara e a falta de um Centro de Excelência e de investimentos do Plano Aeroespacial Brasileiro no local.

Para Luciana no primeiro governo do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva houve um princípio de enfrentamento da desigualdade regional que se mostrou exitoso com o incentivo ao setor automobilístico, à indústria de transformação, de petróleo e gás, e à industria naval entre outras. Ela defende que é preciso retomar esses investimentos associando a criação de centros de pesquisa, aproveitar as vocações dos estados, sobretudo na geração de energia limpa, e investir mais nos pesquisadores locais.

“Não adianta ter refinaria se os centros de pesquisa estão concentrados no Sudeste. Os centros de pesquisa da cadeia do petróleo, por exemplo, são todos no Rio de Janeiro. Tem que pelo menos distribuir esses centros de pesquisa”, argumentou.

Participações

Os deputados federais JHC (SD-AL), coordenador do debate, Sandro Alex (PPS-PR), Chico Lopes (PCdoB-CE), Hélio Leite (DEM/PA), Paulão (PT-AL) e Tia Eron (PRB-BA) também participaram da audiência. Os secretários Paulo Roberto Cordeiro (RN) e Francisco das Chagas Alves Lima (PI) também contribuíram com o debate.

De Brasília;
Ana Cristina Santos