Campanha reivindica interatividade na TV aberta no Brasil

Campanha reivindica interatividade na TV aberta no Brasil
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A interatividade na TV Aberta foi o tema da conversa da deputada Luciana Santos com os pesquisadores do campo da comunicação digital nesta quinta-feira (23). Richard Santos, e Cosette de Castro, da Universidade Católica de Brasília (UCB) e Cristiana Freitas, da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC) explicaram que no próximo dia 29 de abril o GIRED, grupo de implantação da TV digital, formado pela Agencia Nacional de Telecomunicações (Anatel), vai decidir o modelo de conversor para TV digital que será comprado para doação às 14 milhões de famílias de baixa renda que participam do programa Bolsa Família.

Essa decisão implica na perspectiva de haver, ou não, possibilidade de interatividade e acesso à multiprogramação para os usuários da TV aberta. De acordo com os pesquisadores através do middleware Ginga, sistema desenvolvido no Brasil em código aberto, acoplado dentro da caixa de conversão para o canal digital, as famílias podem receber informações sobre diferentes questões, inclusive ter um canal de serviços públicos através da multiprogramação. Essas informações podem ser dados atualizados diariamente sobre empregos sem sair de casa, marcar consultas no SUS sem ficar na fila, fazer cursos pela televisão, pagar contas em bancos públicos, enviar informações para receber benefícios de saúde, aposentadoria, direitos da mulher, entre outros, tudo a partir do controle remoto.

“A interatividade é uma forma de inclusão que ajuda na construção da cidadania e do desenvolvimento do país”, defendeu a professora Cosette. Com a multiprogramação, aumentaria o número de subcanais disponíveis, consequentemente aumenta a programação e também a demanda por profissionais de comunicação.

Com a proximidade da data em que o modelo será definido grupos se mobilizam para ampliar o debate sobre o tema e levar a opinião da população aos representantes do poder público no grupo. A deputada Luciana sugeriu que o tema fosse pautado também na reunião da FrenteCom e se dispôs a conversar com representantes do Ministério das Comunicações para enfatizar a importância da escolha pela interatividade.

” A tecnologia precisa estar a serviço do crescimento e do desenvolvimento social. A interatividade é um ganho na qualidade de vida da população e isto é visível nos resultados das experiências do projeto piloto e em seus desdobramentos”, ponderou. Luciana concordou que a implantação da TV digital é um marco na história da tecnologia e disse que precisa se constituir, também, em um marco na utilização do desenvolvimento de novas ferramentas para formar, incluir e garantir direitos à população, sobretudo nas faixas mais carentes, como é o caso da Bolsa Família. 

Sobre o GIRED

O Grupo de Implantação do Processo de Redistribuição e Digitalização de Canais de TV e RTV (GIRED), foi implantado para decidir em que e como serão aplicados investimentos na ordem de 3.6 bilhões de reais. Esse valor foi depositado pelas empresas de telefonia celular que obtiveram o aceite de suas propostas durante o leilão da faixa espectral de 700 Mhz.

Criado pela ANATEL em dezembro de 2014, o GIRED está decidindo sobre todo o processo de migração das TVs analógicas para os canais digitais. Isso significa decidir sobre como deverá ser feita esta migração, a distribuição dos conversores de TV digital, antenas e filtros para a população de baixa renda, e as cidades onde poderá haver a antecipação do cronograma do switch off analógico. E também que tipo de conversores digitais os 14 milhões de famílias que serão beneficiadas vão receber. (Com ou sem interatividade. Com ou sem Ginga. Com ou sem inclusão digital).

Quem faz parte do GIRED?

O GIRED é formado pelos representantes das empresas de radiodifusão privadas (ABERT, Globo, Band, Record, SBT), públicas, como a EBC e pelas empresas de telefonia móvel: OI, Telefônica/Vivo, Claro, Algar/Telecom e TIM, além de um representante do Ministério das Comunicações.

Pra entender o processo 

Estes recursos (3.6 bilhões de reais) já foram entregues a Associação sem Fins Lucrativos (EAD) formada pelas próprias empresas de telefonia. A associação é a encarregada da compra e distribuição de caixas conversoras digitais para as famílias participantes do programa Bolsa Família. E o GIRED vai decidir no dia 29 de abril que tipo de caixinha as famílias de baixa renda vão receber.

As empresas de radiodifusão e de telefonia querem que seja uma caixa de conversão barata. Ou seja, querem deixar de fora o grande diferencial da TV digital desenvolvida no Brasil: o uso da interatividade através do controle remoto, a multiprogramação e a possibilidade de incluir gratuitamente, via aparelho de televisão, cerca de 60 milhões de brasileiros de baixa renda que não tem acesso a internet, mas tem um aparelho de televisão em casa e sabem usar o controle remoto.

Veja o vídeo sobre a experiência piloto na implantação da interatividade. 

De Brasília;
Ana Cristina Santos