Carta aberta dos movimentos sociais para a presidenta Dilma Rousseff

Carta aberta dos movimentos sociais para a presidenta Dilma Rousseff
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resize 1372718932 “O momento é propício para que o governo faça avançar as pautas democráticas e populares, e estimule a participação e a politização da sociedade”, diz o documento.

 

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Diante da série de manifestações que vêm acontencendo no Brasil nas últimas semanas, dezenas de movimentos sociais decidiram nesta semana enviar uma Carta à presidente Dilma Rousseff, pedindo um diálogo mais amplo por parte do governo federal junto à sociedade.

 
Leia:
 
São Paulo, 19 de junho de 2013
 
O Brasil presenciou nesta semana mobilizações que ocorreram em 15 capitais e centenas cidades.
 
Concordamos com suas declarações que afirmam a importância para a democracia brasileira dessas mobilizações, cientes que as mudanças necessárias ao país passarão pela mobilização popular.
 
Mais que um fenômeno conjuntural as recentes mobilizações demonstram a gradativa retomada da capacidade de luta popular. É essa resistência popular que possibilitou os resultados eleitorais de 2002, 2006 e 2010. Nosso povo insatisfeito com as medidas neoliberais votou a favor de um outro projeto. Para sua implementação esse outro projeto enfrentou grande resistência principalmente do capital rentista e setores neoliberais que seguem com muita força na sociedade.
 
Mas enfrentou também os limites impostos pelos aliados de última hora, uma burguesia interna que na disputa das políticas de governo impede a realização das reformas estruturais como é o caso da reforma urbana e do transporte público.
 
A crise internacional tem bloqueado o crescimento e com ele a continuidade do projeto que permitiu essa grande frente que até o momento sustentou o governo.
 
As recentes mobilizações são protagonizadas por um amplo leque da juventude que participa pela primeira vez de mobilizações. Esse processo educa aos participantes permitindo-lhes perceber a necessidade de enfrentar aos que impedem que o Brasil avance no processo de democratização da riqueza, do acesso a saúde, a educação, a terra, a cultura, a participação política, aos meios de comunicação.
 
Setores conservadores da sociedade buscam disputar o sentido dessas manifestações. Os meios de comunicação buscam caracterizar o movimento como anti Dilma, contra a corrupção dos políticos, contra a gastança pública e outras pautas que imponham o retorno do neoliberalismo. Acreditamos que as pautas são muitas, como também são as opiniões e visões de mundo presentes na sociedade.
 
Trata-se no entanto,de um grito de indignação de um povo historicamente excluído da vida política nacional e acostumado a enxergar a política como algo danoso à sociedade.
 
Diante do exposto nos dirigimos a V. Ex.a para manifestar nosso pleito:
 
Em defesa de políticas que garantam a redução das passagens do transporte público com redução dos lucros das grandes empresas. Somos contra a política de desoneração de impostos dessas empresas.
 
O momento é propício para que o governo faça avançar as pautas democráticas e populares, e estimule a participação e a politização da sociedade. Nos comprometemos em promover todo tipo de debates  em torno desses temas e nos colocamos à disposição para debater também com o poder público.
 
Propomos a realização com urgência de uma reunião nacional, que  envolva os governos estaduais, os prefeitos das principais capitais,  e os representantes de todos os movimentos sociais.
 
De nossa parte estamos abertos ao diálogo, e achamos que essa reunião é a única forma de encontrar saídas  para enfrentar a grave crise urbana que atinge nossas grandes cidades.O momento é favorável. São as maiores manifestações que a atual geração vivenciou e outras maiores virão. Esperamos que o atual governo escolha governar com o povo e não contra ele.
 
Assinam:
 
ADERE- Associação dos Trabalhadores Assalariados Rurais  de MG
 
Assembleia Popular
 
Jornalistas do Barão de Itararé
 
CIMI – Conselho Indigenista Missionario
 
CMP – Central de Movimentos Populares
 
MMC – Movimento de Mulheres Camponesas
 
CMS – Coordenação de Movimentos Sociais
 
Coletivo Intervozes pela Democratização dos Meios de Comunicação
 
CONEN – Coordenação Nacional das Entidades Negras
 
Consulta Popular
 
CTB – Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil
 
CUT – Central Única dos Trabalhadores
 
Fetraf – Federação dos Agricultores Familiares
 
FNDC – Fórum Nacional pela Democratização da Mídia
 
FUP – Federação Única dos Petroleiros
 
Juventude Koinonia (das Igrejas Cristãs Tradcionais)
 
Levante Popular da Juventude
 
MAB – Movimento dos Atingidos por Barragens
 
MAM – Movimento Nacional pela Soberania Popular Frente a Mineração
 
MCP – Movimento Camponês Popular, de Goiás
 
MMM – Marcha Mundial de Mulheres
 
Movimentos da Via Campesina
 
MPA –  Movimento dos Pequenos Agricultores
 
MST- Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra
 
SENGE/PR- Sindicato dos Engenheiros do Paraná
 
Sindipetro – Sindicato Petroleiros de São Paulo
 
SINPAF- Sindicato dos Trabalhadores e Pesquisadores da EMBRAPA e Codevasf
 
UBES- União Brasileira de Estudantes Secundaristas
 
UBM- União Brasileira de Mulheres
 
UJS-  União da Juventude Socialista
 
UNE-  União Nacional dos Estudantes
 
UNEGRO  – União de Negros pela Igualdade