Comissão Geral discute situação da mulher negra no Brasil

Comissão Geral discute situação da mulher negra no Brasil

A deputada Luciana Santos participou na tarde desta terça-feira (17), da Comissão Geral para debater a realidade das mulheres negras. Parte das comemorações da Semana Nacional da Consciência Negra o plenário reuniu parlamentares, sobretudo mulheres, dos mais diversos partidos; assim como representantes dos movimentos sociais de vários estados brasileiros.

“Esse ato é importante, principalmente por causa da realidade objetiva da população negra do nosso país, e em particular das mulheres. Os últimos dados do Mapa da Violência 2015 são estarrecedores e nós precisamos reagir à altura. Houve um aumento na última década de 54% de assassinatos contra as mulheres negras”, denunciou Luciana, que é uma das poucas parlamentares negras dessa Legislatura.

Divulgado no início de novembro o estudo revela ainda que 50,3% das mortes violentas de mulheres são cometidas por familiares e 33,2% por parceiros ou ex-parceiros. Entre 1980 e 2013 foram vítimas de assassinato 106.093 mulheres, 4.762 só em 2013. O país tem uma taxa de 4,8 homicídios por cada 100 mil mulheres, a quinta maior do mundo, conforme dados da OMS que avaliaram um grupo de 83 países.

Luciana também destacou que o tipo de crime, que evidencia maior presença de crimes de ódio e por motivos fúteis. De acordo com a pesquisa enquanto quase metade dos homicídios contra homens acontece na rua, o domicílio é um local relevante nos crimes contra mulheres, atingindo 27,1%. “Os grandes indicadores contra as mulheres negras são crimes de estrangulamento, sufocação, cortante, com penetração. Isso é a explicitação do ódio, do corte racial que há nesses crimes. Por isso, há necessidade de nós desafiarmos cada vez mais a legislação brasileira para combater essa realidade”, pontuou.

A ministra das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, Nilma Lino Gomes, destacou a baixa representatividade das mulheres, sobretudo das mulheres negras na política. “Temos que enxergar a vida política como um lugar de militância e de representatividade. A violência que assombra as mulheres assombra muito mais as mulheres negras. Precisamos mudar essa realidade e isso se faz com participação na política”, afirmou.

Ao longo dos discursos ficou evidente a realidade de exclusão e preconceito que ainda permeia o cotidiano das mulheres negras. Apesar de ter aumentado sua participação no mercado de trabalho, conforme dados do IBGE, as mulheres negras brasileiras recebem em média 47,8% do valor recebido por homens brancos, além de ser o grupo com maior taxa de desemprego.

A saúde da população negra também foi lembrada. Além da predisposição a problemas como pressão alta, diabetes e doença falciforme, de acordo com as parlamentares, as mulheres negras sofrem com o racismo, expresso na indiferença dentro das unidades hospitalares. O Ministério da Saúde lançou, em 2014, a campanha SUS sem Racismo.

Luciana falou ainda, sobre a Marcha das Mulheres Negras que tomou as ruas de Brasília na quarta-feira (18), e terminou seu discurso com uma saudação à grandes mulheres negras da história do Brasil. “Vivam as mulheres negras do nosso Brasil! Viva a Marcha, amanhã! Viva Dandara, Preta Simoa, Tereza de Benguela, Luísa Mahin e Carolina Maria de Jesus! Viva!”

De Brasília;
Ana Cristina Santos

Foto: Gustavo Lima