Educação para Ciência

Educação para Ciência
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Em artigo para a Folha de Pernambuco desta terça-feira (23), o professor Anderson Gomes aponta caminhos para valorização da Ciência nas escolas.

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Pernambuco é a Capital da ciência brasileira de 21 a 26 de julho, com a realização da maior reunião científica da América Latina, promovida pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, SBPC, e que é a maior de todas nos 65 anos que existe a reunião: mais de 23 mil participantes.

A segunda maior reunião da SBPC também foi em nosso Estado, 10 anos atrás, com cerca de 17 mil participantes. Ciência não existe sem educação, no sentido formal e no sentido mais amplo da palavra. Os países ditos desenvolvidos são assim chamados principalmente porque a economia destes países tem sido baseada no conhecimento advindo da educação e ciência. 
 

Em pleno século XXI, nossos adolescentes e jovens tem que estar preparados para encontrar soluções para problemas que ainda não surgiram, usando tecnologias que ainda  não foram inventadas. É neste cenário que a educação para ciência é fundamental, naturalmente não esquecendo que as disciplinas das áreas de humanas e sociais também são importantes. Mas é através da ciência, particularmente as ciências exatas e naturais, que se desenvolve as tecnologias portadoras de futuro, como a nanotecnologia e a biotecnologia, áreas em que o Brasil tem potencial mas carece de transformá-lo, através da tecnologia e inovação, em resultados econômicos e sociais baseados no uso deste conhecimento. 
 
Preparar jovens com uma boa educação para ciência, que ajude a formar cientistas do porte de outros pernambucanos como Leite Lopes, Vasconcelos Sobrinho, Mário Schemberg, Naide Teodósio, Ricardo Ferreira, para citar alguns, requer um ambiente de aprendizado adequado, professores estimulados e motivados, inclusive financeiramente, com formação inicial e continuada adequada ao século XXI e que utilizem um currículo dinâmico e que “fale”com a sala de aula do ensino básico. Nos já mencionados países desenvolvidos, os estudantes lidam com ciência desde o primeiro ano do curso primário. As escolas são em tempo integral e promovem educação integral.
Em 2008, a Academia Brasileira de Ciências divulgou um documento intitulado “O Ensino de Ciências e a Educação Básica”, cujo teor continua atual, no qual enumera uma série de ações para melhoria da educação para ciência: aumento da jornada escolar (tempo integral); valorização da carreira de professor, melhorias na infraestrutura das escolas, avaliações sistemáticas, incentivo à divulgação cientifica, maior utilização de tecnologias como ferramentas pedagógicas, ensino de ciências desde o ciclo fundamental, entre várias recomendações. 
Ações como estas estão presentes nas escolas da rede pública de Pernambuco desde a primeira gestão do Governador Eduardo Campos, no qual o ensino médio – um dos gargalos na formação básica – numa ação pioneira no País atende atualmente a mais de 50%dos seus estudantes em tempo integral em mais de 250 escolas, com universalização prevista para 2014; mantém o maior museu de ciências a céu aberto do País, o Espaço Ciência; introduziu, nos últimos dois anos, a maior implementação de tecnologias para uso pedagógico, com hardware e conteúdo digital para professores e estudantes; promove desde 2007 uma avaliação anual – IDEPE – com a mesma metodologia da avaliação bianual nacional – IDEB, e premia o desempenho das escolas que atingem metas pedagógicas. 
Ciência para o Novo Brasil, tema da 65a reunião da SBPC realizada em Pernambuco, só trará o desenvolvimento necessário se for precedida por uma educação básica que prepare o jovem para os desafios do século XXI. 
 
* Anderson Gomes é assessor do Governador do Estado de Pernambuco e professor do Departamento de Física da UFPE.  Artigo para a Folha de Pernambuco de 23/07/2013.