Iphan declara Caboclinhos como Patrimônio Imaterial Cultural do Brasil

Iphan declara Caboclinhos como Patrimônio Imaterial Cultural do Brasil

O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Iphan definiu por unanimidade, na reunião desta quinta-feira (24/11), em Brasília, pela inclusão dos Caboclinhos como bem cultural imaterial do Brasil.
“Mais uma expressão cultural da nossa terra se torna patrimônio cultural brasileiro e com isso fortalecemos nossa luta pela preservação, valorização e fomento dessas manifestações. Esta é uma decisão que nos traz alegria, orgulho e estímulo para seguir defendendo nossas tradições”, declarou a deputada Luciana Santos.

A deputada acompanhou a reunião, ao lado do secretário de Cultura de Pernambuco, Marcelino Granja, da presidenta da Fundarpe, Marcia Souto, do presidente da Associação Carnavalesca dos Caboclinhos e Índios de Pernambuco – ACCIPE, Erivaldo de Oliveira (Peu), do presidente dos Caboclinhos 7 Flexas do Recife, Paulo Sérgio dos Santos Pereira (Paulinho 7 Flexas), do presidente do Clube Carnavalesco Tribo Indígena Tupã, Amauri Rodrigues de Amorim e do pesquisador Marcelo Renan, da Gerência de Preservação do Patrimônio Cultural, da Fundarpe.

O pedido de registro dos Caboclinhos foi feito pelo então governador Eduardo Campos, juntamente ao pedido de registro dos Maracatus e do Cavalo Marinho, que obtiveram o reconhecimento como bem cultural imaterial do Brasil em dezembro de 2014. Com o título, o caboclinho fica inscrito no Livro das Formas de Expressão e tem garantidos o reconhecimento, a valorização e a salvaguarda de um conjunto de bens culturais, saberes, fazeres e formas de expressão que o representam.

Caboclinhos

A expressão cultural dos Caboclinhos data do final do século XIX e simboliza a memória do encontro cultural e da resistência sobretudo das populações indígenas e também dos povos africanos escravizados, que reverberam profundamente na história do nordeste rural brasileiro. Envolvendo elementos de dança e música, a prática marcada por uma forte presença religiosa afro-indígena-brasileiras está ancorada principalmente no culto à Jurema, com entidades espirituais denominadas Caboclos. Os instrumentos musicais são outra singularidade da expressão cultural, sendo o Caracaxá e a Preaca, por exemplo, exclusivos dos Caboclinhos.

A performance ocorre geralmente nas ruas com indumentária específica e sendo composta por dança e música características e singulares e, em alguns grupos, um recitativo ou drama, podendo essa estrutura variar a partir do tipo de apresentação – no desfile carnavalesco, nos ensaios, ou nos palcos e apresentações públicas.

A dança, cujo movimento básico se denomina “manobra”, é executada pelos participantes, que se apresentam, geralmente, em duas filas, cada um deles portando uma preaca (adereço/instrumento musical, em forma de arco e flecha), também denominado brecha ou flecha. A música apresenta uma sonoridade singular, tanto pelos instrumentos empregados – alguns exclusivos do Caboclinho – quanto pelos aspectos musicais (ritmos, melodias etc), propriamente ditos.

A indumentária e os adereços dos caboclinhos são emplumados e ornamentados com muito brilho. O aspecto religioso dos Caboclinhos está muito vinculado aos fundamentos do culto da Jurema, e sua identidade associada às entidades espirituais dos “caboclos”.

A geografia do Caboclinho compreende uma área que vai de Pernambuco ao Rio Grande do Norte. A ocorrência dos Caboclinhos se estende pelos estados de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, ficando como referência para proposta de Registro a Região Metropolitana de Recife e a Zona da Mata Norte de Pernambuco.

De Brasília;
Ana Cristina Santos

Foto: Sérgio Bernardo/PCR