Luciana avalia crise política e econômica após um ano da votação do impeachment

Luciana avalia crise política e econômica após um ano da votação do impeachment
Plenario

A deputada Luciana Santos (PCdoB/PE), foi à tribuna da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (17), para analisar a situação política e econômica do país, um ano após o golpe que depôs a presidenta Dilma Rousseff.

Luciana iniciou sua fala observando que mesmo com as denúncias de corrupção que pairam sobre o governo os protestos como os panelaços foram silenciados. “Impressiona-me também o fato de os críticos da economia brasileira, dos grandes jornalões, não falarem que, nesse ano de 2016, a taxa de investimento no Brasil, de 16,4%, foi a pior dos últimos 20 anos”, destacou.

A deputada denunciou o aumento do desemprego e o empobrecimento da população. Ela citou estatísticas que dizem que dos 2 milhões de desempregados, 25% são jovens com idade entre 19 e 28 anos.

Ainda sobre a economia, Luciana criticou o papel do BNDES que vem atuando a serviço da desnacionalização da economia. “O que nós estamos assistindo é ao mercado interno ser aberto para grupos estrangeiros. A TJLP — Taxa de Juros de Longo Prazo, não foi invenção do ciclo político de Lula e Dilma, ela é dos tempos de Fernando Henrique Cardoso. E o Governo ultraliberal de Temer transformou a TJLP para que o financiamento do setor produtivo fique à mercê dos interesses do mercado privado financeiro”.

O impacto da falta de investimento no conteúdo local e a absurda tentativa de retirada de direitos através das reformas da Previdência e Trabalhista também foram assuntos abordados pela presidenta do PCdoB, que criticou, por fim, a violência na repressão às manifestações populares contra as medidas do governo.

Assista:

Leia o discurso:

Em primeiro lugar, quero aqui deixar meus parabéns e um abraço muito caloroso para a líder da bancada do PCdoB aqui na Câmara dos Deputados, Alice Portugal. Parabéns, Alice!

No dia 17, vai completar um ano da votação fatídica do impedimento da Presidenta Dilma que se deu aqui na Câmara dos Deputados. Após quase um ano, o que me espanta é que silenciaram os panelaços, mesmo com as inúmeras denúncias de corrupção que pairam sobre esse Governo, que tem nove Ministros denunciados. Impressiona-me também o fato de os críticos da economia brasileira, dos grandes jornalões, não falarem que, nesse ano de 2016, a taxa de investimento no Brasil, de 16,4%, foi a pior dos últimos 20 anos. No BRICS, grupo do qual o Brasil participa, a taxa de investimento da China é de 50% e da Índia, 33%.

O desemprego em um ano é avassalador, são mais de 2 milhões de brasileiros e brasileiras desempregadas. O empobrecimento da população salta aos olhos, com as pessoas pedindo esmola nas ruas. É bom que se diga que, desses 2 milhões, 25% são de jovens desempregados neste País com idade de 19 a 28 anos.

O BNDES está a serviço da desnacionalização da economia. O que nós estamos assistindo é ao mercado interno ser aberto para grupos estrangeiros. A TJLP — Taxa de Juros de Longo Prazo, Srs. Deputados, não foi invenção do ciclo político de Lula e Dilma, ela é dos tempos de Fernando Henrique Cardoso. E o Governo ultraliberal de Temer transformou a TJLP para que o financiamento do setor produtivo fique à mercê dos interesses do mercado privado financeiro.

A PETROBRAS abre mão de ser operadora única dos campos mais prósperos de maior reserva do País. O conteúdo local se reveste com o impacto que isso terá, como por exemplo na minha terra, em Pernambuco. A indústria naval, que foi retomada no nosso estado, vai ter que contratar navios em Singapura e na Coreia, desempregando milhares de pernambucanos.

Nós estamos vendo é a retirada de direitos. Não adianta querer impor reforma da Previdência e trabalhista na força policial, na repressão, no arbítrio, como aconteceu nas últimas manifestações. Afinal, um governo ilegítimo, que já não teve legitimidade para assumir a Presidência e que tem 4% de popularidade, só tem um jeito para impor a reforma: no arbítrio, na força policial, como fizeram nas últimas manifestações.

De Brasília;

Ana Cristina Santos

Foto: Agência Câmara