Luciana defende avanços na política macroeconômica

Luciana defende avanços na política macroeconômica
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Do plenário da Câmara a deputada pediu mais investimentos no setor produtivo, falou sobre seca e inovação e fez um balanço sobre o ano legislativo de 2012.

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Na tarde desta quinta-feira (21), a deputada Luciana Santos esteve no Plenário Ulysses Guimarães para seu primeiro discurso do ano, utilizando o tempo do grande expediente. Luciana fez um breve balanço da sua atuação em 2012, ano em que liderou a bancada do PCdoB, e abordou temas como seca, vida no campo, inovação tecnológica e avanços na política macro econômica..
 
Marcada inicialmente para as 15h, a intervenção começou cerca de uma hora depois e foi transmitida pela TV Câmara e pelo portal da Câmara na internet. A deputada começou o debate falando de um fato recente: a discussão sobre o requerimento de proteção policial para a blogueira dissidente cubana Yoani Sanchez, protocolado pelo deputado Mendonça Filho (DEM/PE), e que mobilizou a sessão desta quarta-feira (20).   Luciana elogiou a postura do PCdoB, que foi contra o requerimento, e questionou sobre as reais motivações da blogueira.  
 
“Essa senhora fala muito em democracia e liberdade, no entanto defende ou, pelo menos diz, que no governo de Fulgencio Batista, uma ditadura militar que matou 20 mil cubanos, havia democracia e liberdade. Eu realmente não entendo o que para ela é democracia e liberdade”, salientou .
 
Os deputados Amauri Teixeira e Francisco Escórcio apartearam a deputada para lamentar a forma intempestiva como parlamentares da oposição e jornalistas que acompanhavam a blogueira entraram no plenário na sessão da manhã anterior. 
 
A parlamentar disse ainda que o debate sobre Cuba sempre é pautado por questões de caráter ideológico e que a melhor saída é analisar esse assunto à luz da razão, dos dados e indicadores de organismos mundiais, a exemplo da ONU. Ela lembrou que Cuba está no topo das nações mais próximas a atingir “os objetivos do milênio” propostos pelas Nações Unidas. 
 
“Nós precisamos estar de fato abertos ao debate de ideias, a enfrentar polêmica do jeito que deve ser enfrentada, com conteúdo, com números, com dados reais, com fatos concretos e não com farsas”, concluiu. 
 
Combate a seca
 
Analisando as medidas aprovadas no ano passado, Luciana falou sobre o Plano Nacional de Irrigação e, diante da seca que castiga duramente o nordeste nos últimos meses, defendeu agilidade nas medidas e programas que podem abrandar o sofrimento dos que foram atingidos pela seca. 
 
Ela lembrou que não só o sertão é penalizado com a falta de chuvas.  “A situação (no Agreste) é gravíssima. Há Municípios em que o que a gente chama de bacia leiteira do Estado de Pernambuco, que é também denominada de produção local, é estarrecedor. Muitas vezes, por conta dessa questão (da seca), os rebanhos chegam a ter uma redução de 60% do que existia antes”, alertou.
 
Inovação e Desenvolvimento
 
Outro ponto importante na intervenção foi a defesa do investimento em inovação e pesquisa. Luciana acredita que o Brasil pode se destacar no setor e avaliou como acertada a medida do governo que deve anunciar um conjunto de medidas para valorização das empresas de inovação e pesquisa, incluindo uma linha de crédito de quase R$ 30 bilhões para o financiamento e a criação da Embrapii.
 
Citando o exemplo do sucesso da Porto Digital, em Pernambuco, e lembrando da Embrapa, Embraer e Petrobras,  a deputada defendeu que a tecnologia é uma excelente ferramenta para geração de crescimento econômico e que é preciso mais que investimento financeiro para incentivar a inovação. “Não basta dinheiro, é preciso que se assuma o risco da inovação, a atitude firme em favor da inovação. O ambiente de inovação precisa acontecer”.
 
Economia 
 
Luciana encerrou seu discurso enfatizando a necessidade de mudanças na economia. Ela valorizou a decisão da presidenta Dilma em enfrentar a alta dos juros como uma política nacional e ressaltou o simbolismo do anúncio da medida, em cadeia nacional, no último 1º de maio.  “Enfrentar a ganância dos lucros no mercado financeiro é, de fato, uma atitude de ousadia que sempre foi uma questão dos movimentos sociais e uma bandeira do PCdoB”.
 
No entanto, defendeu que é preciso ir além e abandonar algumas das premissas que regem a política macroeconômica; enfrentar a questão do câmbio e do superávit primário, além de avançar nas taxas de investimento no setor produtivo para sair dos atuais 19% para, pelo menos, 25%. 
 
“Não podemos ter as mesmas premissas que rechearam a política macroeconômica durante esse tempo todo.  É urgente a ousadia e o enfrentamento de superação dessas premissas para que a gente tenha um superávit primário que chegue a patamares necessários para que a taxa de investimentos no Brasil aumente”, argumentou.
 
De Brasília