Luciana defende unidade na luta por direitos humanos ao receber homenagem do PSDB Mulher

Luciana defende unidade na luta por direitos humanos ao receber homenagem do PSDB Mulher

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E lá vêm Elas, negras, fortes, resistentes, não como lá, não como ontem,
A subordinação imposta como destino agora é subvertida
e aqui estão Elas, artistas, escritoras, professoras, doutoras, atletas,
maestrinas, compositoras, políticas, ativistas, militantes, NEGRAS
EMPODERADAS desafiando os persistentes processos de Exclusão.
*Judite Botafogo

Nesta quinta-feira (23), a Câmara Municipal do Recife prestou homenagem a um grupo de mulheres pernambucanas em comemoração ao dia internacional da mulher negra latino-americana e caribenha. A sessão aconteceu por iniciativa do PSDB Mulher de Pernambuco, presidido pela ex-deputada Terezinha Nunes.

A deputada Luciana Santos foi uma das agraciadas com o troféu Dona Santa, rainha do maracatu Elefante, um dos mais tradicionais do Estado, e falou em nome das demais homenageadas. Ela salientou que as mulheres negras são alvo de uma tripla opressão: de gênero, de raça e de classe. Citando o filósofo italiano Domenico Losurdo explicou que a luta pela emancipação feminina ocupa lugar destacado na origem da luta de classes.

Para Luciana a luta das mulheres negras da América Latina se torna ainda mais difícil em virtude da negação à existência de preconceito e opressão. “É preciso elevar a consciência da opressão porque apesar dela ser evidente, factual e estar em números, não existe ainda plena consciência da opressão, ou pelo menos querem negá-la. Essa é a grande luta, primeiro o reconhecimento da opressão, que existe desigualdade e que existe preconceito racial para que ele possa ser superado. Depois uma grande luta para fazer valer políticas públicas concretas que garantam emancipação” .

A deputada também lembrou a sub-representação das mulheres pernambucanas na política, lembrando que em toda a história do Parlamento houve apenas três deputadas federais por Pernambuco: Cristina Tavares, Ana Arraes e a própria Luciana Santos. Ela lembrou também a contribuição de Adalgisa Cavalcanti ao defender que a visibilidade, o reconhecimento e o apoio político são fundamentais para o desenvolvimento de políticas afirmativas para as mulheres.

Presidente nacional do PCdoB Luciana disse que foi interpelada pela imprensa sobre o fato de receber uma homenagem do PSDB, uma vez que os dois partidos atuam em campos opostos no âmbito da política. “Se nos processos ao longo do tempo a luta política nos colocou em campos políticos antagônicos, não separa nossa luta por direitos humanos, por direitos civis, pela igualdade entre homens e mulheres e a igualdade de raça.” Replicou. “No reconhecimento do que é básico e está além da disputa partidária, é preciso que estejamos acima disso e prontos para honrar as lutas históricas do nosso povo, por isso me orgulho muito de estar sendo homenageada ao lado de todos vocês”, finalizou Luciana.

Além da deputada Luciana, receberam o troféu “Dona Santa”, a cantora Lia de Itamaracá (Cultura), Lenira Maria de Carvalho (Sindicato das Domésticas), Laudjane Domingos (historiadora), Judite Botafogo (presidente do ITV-PE), Luciana Araújo (Revista Jurema), Graça Araújo (Comunicação), Isabel Gonçalves (Confederação Nacional dos Artesãos), Denise Botelho (Pesquisadora em Sexualidade, Raça, Gênero e Educação), a parteira Maria dos Prazeres, e a coordenadora do GT de Racismo do Ministério Público do Estado, a procuradora Maria Bernadete Figueiroa. Também houve homenagem póstuma à cantora Selma do Coco, que faleceu em maio deste ano. As netas de Selma receberam a honraria.

De Brasília;
Ana Cristina Santos