Luciana destaca papel do PCdoB no enfrentamento à crise política

Luciana destaca papel do PCdoB no enfrentamento à crise política

unnamed 1

A presidenta nacional do PCdoB, deputada federal Luciana Santos (PE), foi a principal palestrante nesta terça-feira (4) no 9º Encontro Nacional sobre Questões de Partido, que acontece em Brasília. Ela destacou o papel do PCdoB na construção da contraofensiva à crise política e falou sobre a relação entre a organização partidária e a luta política, destacando que o mês de agosto será marcado pela agudização da crise e igualmente da contraofensiva nas manifestações de rua.

Os militantes nas ruas e o debate de ideias são apontados pela presidenta do PCdoB como “nosso principal potencial”. Os militantes nas ruas e o debate de ideias são apontados pela presidenta do PCdoB como “nosso principal potencial”. “A organização partidária dialoga com a luta política”, avalia a dirigente comunista, para quem é preciso fazer valer a máxima de que é na dificuldade que os comunistas crescem.

“Vamos à luta para virar essa página difícil”, concluiu Luciana Santos, após uma explanação detalhada da crise política atual do país e de como o PCdoB atua e continuará agindo na defesa do mandato da Presidenta Dilma Rousseff e para evitar a ofensiva da direita que quer fazer o Brasil retroagir após conquistar avanços nos campos político e social nos últimos 12 anos, desde a primeira eleição do ex-presidente Lula, que contou com o apoio do PCdoB.

Luciana Santos disse que o PCdoB vai defender a frente ampla e a coalizão nesse momento de dificuldade, que é o legado dos comunistas nesse governo do PT e seus aliados. “A construção partidária passa por esse legado, de defesa do mandato da presidenta Dilma e enfrentamento a esse ambiente de ódio e intolerância, que não tem nada a ver com a construção da nossa nacionalidade que, apesar de termos preconceitos, não somos intolerantes, e o que vemos hoje é ódio de classe”, analisa Luciana.

Crise ideológica e luta de classes

Dentro do papel proativo do PCdoB no enfrentamento da crise política, a dirigente partidária destacou a atuação do governador do Maranhão, Flávio Dino, “que jogou papel importante na articulação da reunião da presidenta Dilma com os governadores e da defesa constitucional do mandato Dilma.”

Para Luciana Santos, “nunca ficou tão explícita a separação entre o poder e o governo”, citando as lições do comunista italiano Antônio Gramsci. “Nós ganhamos o governo, mas não o poder”, disse, destacando a importância de se fazer exercício básico de estabelecer controle sobre os órgãos do Estado.

Ela, que tem experiência de dois mandatos como prefeita de Olinda (PE), enfatizou que “é preciso ter voto para poder governar”, afirmando que é preciso combater a ideologia pequena burguesa incrustrada nesses órgãos, que faz com que um promotor queira governar sob ameaça ao governante eleito de improbidade administrativa.

Luciana afirmou que a crise política não tem nada a ver com o combate à corrupção, citando diversos casos de corrupção antigos e emblemáticos que nunca foram devidamente investigados. Para Luciana Santos, a crise é ideológica, não tem nada a ver com a luta contra a corrupção, e quer tentar destruir o que a ditadura não conseguiu fazer, “destruindo moralmente os atores desse ciclo político”, disse, em referência ao ex-presidente Lula e a presidenta Dilma Rousseff.

“Não é demasiado comentar a situação atual, da saga que estamos vivendo e traçar uma contraofensiva para evitar que a oposição interrompa o ciclo virtuoso no Brasil a partir da eleição de Lula para Presidência da República”, enfatizou a dirigente comunista.

Em agosto

A agudização da crise política vai ocorrer em agosto, quando serão julgadas as contas do governo Dilma pelo Tribunal de Contas da União (TCU); as contas da campanha da presidenta Dilma no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e será apresentada a lista do procurador-geralda República, Rodrigo Janot com os indiciados na Operação Lava-Jato, além da instalação de duas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) – do BNDES e dos Fundos de Pensão -, que pretendem ampliar o campo de atuação da oposição nas investidas contra o Governo Dilma.

“A batalha é em todos os fronts. Não são atos isolados, é uma estratégia que não tem um pivô, mas um movimento que usa toda a artilharia para colocar o governo nas cordas e inviabilizar a governabilidade. Estamos em estado permanente de golpe”, disse Luciana Santos, citando a fala do ex-presidente do PCdoB, Renato Rabelo.

Ao mesmo tempo, ela falou sobre as manifestações de rua marcadas também para este mês, que fará frente à ofensiva da direita, como a Marcha das Margaridas e os atos que serão realizados em todo o país no próximo dia 20 em defesa da democracia e do mandato da Presidenta Dilma. reagir com mobilizações.

Objeto do encontro

unnamed

Ela destacou o objeto do encontro é planejar – que é fazer planos, monitorar e persegui-los. O evento representa preparação importante para as conferências partidárias em todos os Estados e municípios, e no Distrito Federal.Os militantes nas ruas e o debate de ideias são apontados pela presidenta do PCdoB como “nosso principal potencial”, destacando que a campanha empreendia pela oposição e a grande mídia contra o PT resvala para o PCdoB, que faz parte do governo do PT e seus aliados.

“Precisamos aproveitar para afirmar nossa identidade com cara própria e opiniões que ajudam a própria coalizão e o plano de desenvolvimento nacional”, citados por Luciana Santos como duas importantes contribuições do seu Partido aos governos de Lula e Dilma.

“Temos que nos armar para as eleições de 2016 porque as circunstâncias ainda não estão postas”, afirmou, em referência as regras eleitorais que ainda estão em discussão na proposta de reforma política em votação no Congresso Nacional.

Segundo ela, o PCdoB defende chapas próprias, com foco nas grandes cidades, para acumular forças para a disputa eleitoral em 2018. E sugeriu articulação nos órgãos que tem importância na vida econômica do país, citando como exemplo exitoso a filiação do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro à CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil).

Acrescentando que essa articulação deve ocorrer também nas universidades, nos movimentos de mulheres, juventude etc, na perspectiva de montar um partido mais influente e mais forte.

Do Portal Vermelho
De Brasília, Márcia Xavier

Fotos: Álvaro Portugal