Luciana: Flexibilizar a Voz do Brasil é ataque à comunicação pública e estatal

Luciana: Flexibilizar a Voz do Brasil é ataque à comunicação pública e estatal

A Câmara dos Deputados aprovou Projeto de Lei que flexibiliza o horário de transmissão do programa a Voz do Brasil. A atualmente a Voz do Brasil vai ao ar em cadeia nacional de rádio diariamente às 19 horas, horário de Brasília. O texto principal foi aprovado na sessão da terça-feira (8) e os destaques foram discutidos na sessão desta quarta-feira (9).

Para a deputada Luciana Santos a flexibilização é um ataque ao sistema público de comunicação e abre precedente para inviabilização e extinção do programa, que é uma importante fonte de informação, sobretudo para as pessoas que estão no interior do país. De acordo com a deputada a medida atende apenas aos interesses dos empresários de comunicação.

“Nós estamos diante de mais um ataque à complementaridade dos sistemas — público, privado e estatal — que está prevista na Constituição de 1988”, declara. A parlamentar ressalta que o sistema de comunicação brasileiro já nasceu contaminado pela influência do poder econômico e que a comunicação pública é um dos poucos instrumentos que podem fazer frente a essa realidade.

“Hoje poucas famílias são responsáveis pela maior parte do que a gente vê, ouve e lê no Brasil. Não podemos abrir mão de um programa como a Voz do Brasil que leva ao cidadão brasileiro uma informação mais clara sobre o que debatemos nessa Casa. Quando flexibilizamos, na prática, estamos matando o programa mais antigo do Brasil”, enfatizou.

A Voz do Brasil

A Voz do Brasil é um noticiário estatal que vai ao ar diariamente em praticamente todas as emissoras de rádio aberto do Brasil às 19 horas.

Considerado o programa radiofônico mais antigo do hemisfério Sul, foi criado por Armando Campos, amigo de infância de Getúlio Vargas, com a intenção de divulgar as ideias do governo e começou a ser transmitido em 22 de julho de 1935 com o nome de “Programa Nacional”.

De 1934 a 1962, foi ao ar com o nome de “Hora do Brasil”. A obrigatoriedade da transmissão começou em 1938. Em 1962, a partir da entrada em vigor do Código Brasileiro de Telecomunicações, o Poder Legislativo passou a ocupar a segunda meia hora do noticiário.

Em 1971, por determinação do governo Médici, o nome “Hora do Brasil” mudou para “A Voz do Brasil”. Mais tarde, o Poder Judiciário e o Tribunal de Contas da União (TCU) também tiveram parte do tempo total. A divisão do tempo de transmissão de uma hora é feita com 25 minutos para o Poder Executivo; cinco minutos para o Poder Judiciário; 10 minutos para o Senado Federal; e 20 minutos para a Câmara dos Deputados.

De Brasília;
Ana Cristina Santos