Luciana prestigia exposição que celebra 200 anos da Revolução Pernambucana

Luciana prestigia exposição que celebra 200 anos da Revolução Pernambucana
Foto: Diego Galba/Assessoria

Luciana esteve ontem (12) na abertura da exposição “1817 – Revolução Republicana”, no Museu da Cidade do Recife/Forte das Cinco Pontas. O evento fez parte das comemorações do aniversário de 480 anos da Cidade do Recife.

A exposição, que é feita em parceria com o Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP) é dividida em cinco eixos, apresentando imagens, vídeos, textos e documentos históricos desse momento tão importante para a concretização de um Brasil independente. Na abertura, dois livros foram lançados: o ABCdário da Revolução Republicana de 1817 e a reedição da História da Revolução de Pernambuco em 1817, escrito no século 19 por Francisco Muniz Tavares – pessoa ativa no processo revolucionário e que ficou preso justamente no Forte das Cinco Pontas.

“É importante lembrar a Revolução de 1817, sobretudo nesse momento em que precisamos defender o país de um projeto antinacional. A Revolução Pernambucana tinha o mesmo sentido, porque ela era anticolonialista e era brasileira. Foi a primeira experiência de governo de uma nação livre em nosso território, mesmo que tenha sido de setenta e cinco dias, antecipando em cinco anos o Grito da Independência, e em setenta e dois anos a Proclamação da República. Por isso precisamos nos remeter a essa história, que é a história de um povo que consegue, quando tem convicção, resistir e fazer valer uma agenda progressista para o país”, disse Luciana.

A mostra fica em cartaz por um ano. A entrada é gratuita e o museu fica aberto das 9h às 17h.

Revolução Pernambucana

A Revolução Pernambucana, também conhecida como Revolução dos Padres, foi um movimento emancipacionista que eclodiu em 6 de março de 1817, na então Capitania de Pernambuco, no Brasil. Entre as causas, podemos citar a influência das ideias Iluministas e da Revolução Francesa, a crise econômica regional, o absolutismo monárquico português e os enormes gastos da Família Real, recém-chegada ao Brasil, quando o Governo de Pernambuco era obrigado a enviar para o Rio de Janeiro grandes somas de dinheiro para custear salários, comidas, roupas e festas da Corte, o que ocasionava o atraso no pagamento dos soldados, gerando grande descontentamento da elite local.

Foi o único movimento separatista do período colonial que ultrapassou a fase conspiratória e atingiu o processo revolucionário de tomada do poder e contou com relativo apoio internacional: os Estados Unidos, que dois anos antes tinham instalado no Recife o seu primeiro Consulado no Brasil e no Hemisfério Sul devido às relações comerciais com Pernambuco, se mostraram favoráveis à revolução, bem como os ex-oficiais de Napoleão Bonaparte que pretendiam resgatar o seu líder do cativeiro em Santa Helena, levá-lo a Pernambuco e depois a Nova Orleans.

O movimento iniciou com a ocupação do Recife, em 6 de março de 1817. No regimento de artilharia, o capitão José de Barros Lima, conhecido como Leão Coroado, reagiu à voz de prisão e matou a golpes de espada o comandante Barbosa de Castro. Depois, na companhia de outros militares rebelados, tomou o quartel e ergueu trincheiras nas ruas vizinhas para impedir o avanço das tropas monarquistas. O governador Caetano Pinto de Miranda Montenegro refugiou-se no Forte do Brum, mas, cercado, acabou se rendendo.

O movimento foi liderado por Domingos José Martins, com o apoio de Frei Caneca e de Antônio Carlos de Andrada e Silva (irmão de José Bonifácio). Tendo conseguido dominar o Governo de Pernambucano, se apossaram do tesouro, instalaram um governo provisório e proclamaram a República.

Em 29 de março foi convocada uma assembleia constituinte, com representantes eleitos em todas as comarcas. Nela, foi estabelecida a separação entre os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário; o catolicismo foi mantido como religião oficial — porém com liberdade de culto —; foi proclamada a liberdade de imprensa (uma grande novidade no Brasil); e foram abolidos alguns impostos. A escravidão, entretanto, foi mantida. A nova república duraria 75 dias.

Do Recife;

Rodrigo Barradas