Luciana Santos analisa renúncia de Cunha e sucessão na presidência da Câmara

Luciana Santos analisa renúncia de Cunha e sucessão na presidência da Câmara

Com a renúncia do deputado afastado Eduardo Cunha a presidência da Câmara, nesta quinta-feira (7), e a posterior decisão do colégio de líderes de eleger um novo presidente já na próxima terça-feira (12), o final de semana deve ser de articulações e diálogos entre os parlamentares.

Em São Paulo, para atividade do PCdoB, a deputada Luciana Santos avaliou que a renúncia de Cunha é uma estratégia para salvação do seu mandato. “É obvio que não fez isso (renunciar) como um gesto de nobreza ou como reconhecimento dos danos que trouxe ao erário ou a democracia. Essa estratégia certamente é reflexo da última conversa que ele teve com o interino Temer no Palácio do Jaburu, pouco mais de 15 dias atrás. Desde então se deflagrou por parte do governo interino uma verdadeira operação salva Cunha”.

Com a renúncia ao cargo de presidente, fica adiada para agosto a votação da cassação do seu mandato e o deputado ganha tempo para articular a eleição do seu sucessor. Para Luciana, Cunha “pretende eleger o presidente da Câmara mais plástico, mais palatável para a opinião pública, com um invólucro de cara mais democrático, mas ao mesmo tempo muito ligado a ele”. O candidato de Eduardo Cunha é Rogério Rosso (PSD/DF), que presidiu a comissão do impeachment e foi governador o Distrito Federal por oito meses, após eleições indiretas realizada na Câmara Legislativa.

A presidenta do PCdoB analisa ainda que toda essa movimentação visa acumular forças para consolidar o golpe em curso. Ela defende que, em qualquer situação política, a presidência da Câmara é fundamental para a governabilidade do país e neste momento, especificamente, este espaço de atuação política se torna ainda mais estratégico. “Precisamos investir na tentativa de formar um grande bloco, capaz de se contrapor ao centrão”, defende.

De acordo com Luciana na história do Parlamento há muitas situações em que alianças são feitas para evitar o que chamou de “mal maior”. Ela analisa que o campo mais progressista não tem força para eleger um candidato. “Quando analisamos os votos do nosso campo de pensamento, de maior identidade programática, nos reduzimos a aproximadamente cem deputados”, explica. No entanto a leitura em linhas gerais não é pessimista. “ Tivemos essa semana uma grande vitória que foi derrotar a urgência da PEC do gasto público. Esses são os votos suficientes para barrar a vitória desse conluio, desse esquemão que está sendo montado, consolidando a influência do Cunha não só na Câmara como no governo do interino Temer”.

Para Luciana é preciso muita tranquilidade e diálogo visando o melhor para o país e para a democracia brasileira já tão afrontada. “Esta é uma situação complexa e adversa, mas nós temos consciência do quanto é estratégico a gente ter na presidência alguém que tenha interlocução e que possa cumprir pactos e entendimentos coletivos”, pontua.

Sobre o perfil de um candidato que agregue em torno de si as mais diferentes forças, aponta: “Antes de tudo deve ser alguém que cumpra acordos, que seja uma pessoa de confiança no que diz respeito a prática política, a partir disso temos que construir quais as questões de conteúdo que nos interessa; algumas questões que para nós são muito caras como a Reforma Política, mas também questões de avanços para a agenda do país; e que a gente possa ter espaço para negociar, para influenciar, para pressionar”.

Mesmo ficando à frente da Casa apenas até o próximo mês de janeiro, pouco mais de seis meses, essa já se mostra uma das mais acirradas disputas que a Câmara dos Deputados já viu. Aos que defendem a democracia, serão dias em que será exigido maturidade, serenidade e diálogo, muito diálogo.

De Brasília;
Ana Cristina Santos

Foto: Richard Silva/PCdoB na Câmara