Marcelino Granja e Márcia Souto falam sobre desafios da Secult e Fundarpe

Marcelino Granja e Márcia Souto falam sobre desafios da Secult e Fundarpe
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Os desafios para a Cultura

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Marcelino Granja e Márcia Souto assumem sabendo o que precisa ser feito para que novo salto aconteça em Pernambuco

A reestruturação da Fundarpe, a desburocratização do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura), o elo entre a cultura e a educação, a questão do orçamento e a importância da preservação do patrimônio (material e imaterial) foram alguns dos tópicos ressaltados durante a transmissão dos cargos de secretário de Cultura do Estado e de presidente da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), na tarde de ontem. A rápida cerimônia lotou o Teatro Arraial Ariano Suassuna (rebatizado no fim de dezembro em homenagem ao escritor e dramaturgo). Marcelino Granja assumiu o posto que era de Marcelo Canuto na Secult e, Márcia Souto, o de Severino Pessoa na Fundarpe. Também tomaram posse Silvana Meireles, como secretária executiva, e Antonieta Trindade como diretora executiva, ambas da Secult­PE.

Severino, que passa a ser diretor executivo da Secult­PE, e Marcelo, que vai para a Casa Civil, falaram brevemente, citando alguns pontos das gestões da Fundarpe e Secult­PE, respectivamente, durante o governo de Eduardo Campos. O novo secretário falou em manter um diálogo com esse passado para avançar: “Haverá no nosso modo de agir, um diálogo permanente entre o legado extremamente positivo que construímos, legado esse dos oito anos do governador Eduardo Campos completados pelo governador João Lyra. Em que pese deficiências, faltas, ausências e problemas ainda não enfrentados, que já estão inclusive pautados no programa do governo de Paulo Câmara, há três marcos indeléveis. O primeiro é que há um aumento de recursos extraordinário. Claro que ainda precisamos de mais. Precisamos lutar para arranjar os caminhos pelos quais vamos conquistar mais recursos, mas crescemos.”
Como repercussão disso, ele apontou dois exemplos: “A valorização da cultura popular é um marco indelével deste período. E o avanço que se teve em relação ao audiovisual, e ao cinema em particular, é uma mudança de patamar que nos desafia em relação a outras linguagens e segmentos, a também tratar do mesmo modo as artes plásticas e tantas outras áreas da atividade cultural que têm em Pernambuco protagonistas nacionais e que precisam deste mesmo empuxo”.

Marcelino também falou sobre mudanças na própria Fundarpe: “Temos a necessidade de reestruturar, ou estruturar, a Fundarpe. Não só do ponto de vista administrativo, mas inclusive conceitual, de que Fundarpe nós queremos. Tem a questão de aprimorar o Funcultura. Há necessidade de buscar mais meios, de ter uma lei do mecenato. É possível, a partir da experiência nacional, criticando a experiência nacional naquilo que ela tem de efeitos deletérios, ela às vezes provoca concentração regional ou de determinados segmentos, mas que nos estados tem outro tipo de rebatimento”.

Ao assumir a palavra, antes de Marcelino, Márcia Souto também falou do Funcultura, afirmando que é preciso desburocratizá­lo. Também destacou outros desafios que considera imediatos, como grandes investimentos na restauração e preservação do patrimônio de Pernambuco. “Precisamos ver como é que fazemos para entrar no PAC das Cidades Históricas. Arrumar dinheiro lá no Iphan, no Ministério (da Cultura)”, afirmou.

Ela também citou outras questões em que é preciso avançar: “A cultura não pode correr à parte da educação. É muito importante hoje a gente ter uma pessoa da área da educação na nossa equipe, que a gente leve para dentro da escola este grande debate da preservação e da continuidade deste patrimônio cultural”.

“Temos a necessidade de integração com outras áreas da atividade governamental, o Turismo, Ciência, tecnologia e inovação, e Educação. Temos uma rede extensa de escolas em tempo integral e semi­integral. A cultura pode ser valoroso instrumento, inclusive para resolver um problema de algumas linguagens de nossa cultura que são fortes do ponto de vista da formulação do seu conteúdo, mas não tem público. Não se tem público se a gente não trabalhar desde o primeiro momento, das crianças à a juventude”, lembrou o novo secretário, que ainda falou sobre temas como o desenvolvimento de cadeias da cultura como a economia criativa, e “a necessidade premente de nós termos uma política mais consistente em relação ao patrimônio (material e imaterial). Temos um patrimônio edificado belíssimo, que é parte da nossa alma, que é a alma da gente que construiu este Brasil ali pulsando. Só podemos construir o novo a partir de experiência com passado, porque não existe uma coisa sem outra”.

Marcelino se disse confiante e, sobre o processo de diálogo, completou: “Vamos retomar este processo de parcerias e de muita conversa. É preciso compor os conselhos, tanto de preservação histórica, quanto de política cultural. Vamos abrir a discussão imediatamente. Sobre como compor estes conselhos, como elaborar a minuta do projeto de lei que vai para assembléia, a lei do mecenato, e concluir a institucionalização do sistema da lei, iniciada por Luciana, do Plano Estadual de Cultura”.

Eugênia Bezerra para o Jornal do Commercio

Foto: divulgação