Morre dona Marisa Letícia, ex-primeira dama do Brasil

Morre dona Marisa Letícia, ex-primeira dama do Brasil

A ex-primeira dama do Brasil, dona Marisa Letícia Lula da Silva, faleceu nesta quinta-feira (2/02), no hospital Sírio Libanês, em São Paulo, após complicações decorrentes de um acidente vascular cerebral (AVC) há oito dias. A confirmação de morte cerebral foi feita pelo cirurgião-chefe da equipe responsável pelo caso, Roberto Kalil Filho, na noite deste dia primeiro. A família anunciou as providências para doação dos órgãos às 10h desta quinta.

A deputada Luciana Santos, presidenta nacional do PCdoB, se somou aos milhões de pessoas que lamentaram a morte de dona Marisa e manifestaram solidariedade ao ex-presidente Lula. “Hoje é um dia de grande tristeza. Estamos solidários ao ex-presidente Lula e sua família nesse momento de tanta dor e sofrimento”, expressou.

“Dona Marisa foi a fiel expressão da mulher brasileira. Simples, forte e altiva teve uma vida dedicada a construir o sonho de um país mais justo. Ela nos deixa um exemplo de solidariedade, coragem, humildade, desprendimento e amor incondicional à sua família e à causa de um Brasil que dá oportunidade e dignidade a todas as pessoas”, completou Luciana.

Leia a Nota do PCdoB

A Câmara dos Deputados, em processo de eleição da nova mesa diretora, fez um minuto de silêncio em homenagem à dona Marisa.

Uma trajetória de simplicidade e coragem

Marisa Letícia nasceu em 7 de abril de 1950, em São Bernardo do Campo, em uma família de imigrantes italianos. Aos 9 anos começou a trabalhar como babá, aos 13 anos se tornou operária em uma fábrica de chocolates onde trabalhou até os 19 anos. Depois, trabalhou no departamento de educação da prefeitura de São Bernardo do Campo.

Aos 23 anos, viúva e com um filho do primeiro casamento, conheceu Lula no Sindicato dos Metalúrgicos. Casaram-se no ano seguinte, em 1974. Lula se tornou pai de seu primeiro filho, Marcos Cláudio, e juntos tiveram outros três filhos: Fábio, Sandro e Luís Cláudio.

Marisa-Letícia-e-os-filhos

Conhecida pela discrição, dona Marisa não só esteve presente ao lado de Lula desde sua militância no Sindicato dos Metalúrgicos, como foi protagonista de momentos importantes da luta dos trabalhadores. Em 1980, durante uma greve de operários, Lula foi detido e encarcerado no DEOPS. Dona Marisa esteve entre as líderes da famosa passeata das mulheres pela libertação dos trabalhadores. “Fizemos uma passeata das mulheres em 1980, quando os dirigentes sindicais estavam presos. Encheu de polícia. Os homens queriam dar apoio, mas dissemos não. Fizemos só com as mulheres“. (Marisa Letícia, em O Globo 09/08/2002).

Atenta ao momento político organizou fundos de greve, fez o curso de Introdução à Política Brasileira, oferecido pela Pastoral Operária da Igreja Católica, foi ativa na fundação do Partido dos Trabalhadores. “A primeira bandeira do PT eu é que fiz. Tinha um tecido vermelho, italiano, um recorte, guardado há muito tempo. Costurei a estrela branca e ficou lindo. Minha casa era o centro. Foi assim que começou o PT” (Marisa Letícia, em O Globo 09/08/2002).

Brasil, São Paulo, SP. Luiz Inácio Lula da Silva e sua mulher Marisa tomam café. - Crédito:CLOVIS CRANCHI/ESTADÃO CONTEÚDO/AE/Codigo imagem:3830

Brasil, São Paulo, SP. Luiz Inácio Lula da Silva e sua mulher Marisa tomam café. – Crédito:CLOVIS CRANCHI/ESTADÃO CONTEÚDO/

Para o universo da política, dona Marisa trouxe a simplicidade e a coragem dos que nasceram sob o signo da pobreza e da opressão. Esteve mobilizada em cada campanha e, de acordo com vários depoimentos de pessoas próximas ao casal, sempre foi a palavra de carinho, ânimo e encorajamento ao ex-presidente Lula, sobretudo nos momentos de adversidade. Como primeira dama será lembrada por ser amável e cordial. Sobre o período a jornalista Hildegard Angel escreveu junto artigo onde destaca: “Não há um único relato de episódio de arrogância ou desfeita feita por ela a alguém, como primeira-dama do país”.

Sobre dona Marisa Letícia ficará a imagem de uma companheira leal, amável e aguerrida. Recorrendo mais uma vez às palavras da deputada Luciana Santos, “uma mulher cuja trajetória deixa marcas indeléveis que merecem ser observadas, respeitadas e incluídas nos relatos da nossa história, no legado que nosso tempo deixa às próximas gerações”.

De Brasília;
Ana Cristina Santos

Foto principal: Leonardo Benassatto/Futura Press/Folhapress