PCdoB faz um chamado à nação para superar a crise

PCdoB faz um chamado à nação para superar a crise

A Comissão Política Nacional do PCdoB reuniu-se nesta segunda-feira (24) para debater a conjuntura política nacional. Em pauta o agravamento da crise econômica e política; a luta contra os retrocessos promovidos pelo governo golpista de Michel Temer, como as reformas trabalhista e previdenciária, o desmonte do estado nacional e a reforma política. Diante do grave quadro nacional, os comunistas consideram necessário um amplo diálogo com a sociedade em busca de uma saída para o Brasil.

A reunião da direção nacional do PCdoB foi aberta com uma exposição da presidenta Luciana Santos que registrou o transcurso de um ano da fatídica sessão da Câmara dos Deputados que autorizou o início do processo contra a presidenta Dilma Rousseff e golpeou a democracia brasileira. A dirigente comunista registrou que “todo golpe deixa cicatrizes profundas na sociedade, pois ele quebra a as regras do convívio político, a previsibilidade dos acontecimentos, gerando incertezas e inseguranças”. A comprovação disso é que a prometida estabilidade não se materializou, a retomada da confiança dos investidores não se seu, a pacificação social deteriorou. “Os panelaços contra a corrupção silenciaram, as críticas estridentes dos comentaristas sobre a situação econômica desapareceram”, afirmou Luciana Santos.

Os impactos na economia também foram ressaltados por Luciana Santos. Segundo ela, setores produtivos competitivos internacionalmente estão sendo quebrados, abrindo o mercado interno para grupos estrangeiros e perdendo mercados externos. Destacou ainda o aprofundamento da crise econômica que produziu mais de 13 milhões de desempregados, dos quais 25% são jovens. Para agravar ainda mais a situação dos trabalhadores, o governo tem entre suas prioridades o ataque a direitos como a aposentadoria e as garantias dadas pela CLT. No caso da reforma trabalhista Luciana considera um amplo retrocesso estrutural com impacto na desarrumação da economia e do trabalho, que serão ainda mais precarizados”.

A presidenta do PCdoB afirmou que “os instrumentos do financiamento do Estado brasileiro ao nosso desenvolvimento estão sendo atacados. A contínua política de desmoralização do BNDES, a mudança na política de crédito em longo prazo, deixando que as taxas de juros de longo prazo sejam definidas pelo mercado; o financiamento de investimentos de empresas estrangeiras no Brasil é um dos pontos altos na mudança da política desse banco”.

Luciana abordou também o propalado combate à corrupção, tão presente no discurso dos que defendiam o afastamento da presidenta legítima. Tal discurso se desmanchou no ar. “Ao se tornarem públicos os mecanismos de financiamento do sistema político eleitoral com as doações empresariais, se desmanchou o discurso da moralidade e do combate à corrupção adotado pela direita. Buscam nivelar tudo por baixo, e colocar na esquerda a paternidade de um esquema que nasceu a muitos anos”, afirmou a deputada comunista. O PCdoB considera necessária a apuração e punição dos casos de corrupção, mas condena a seletividade que ainda persiste na Operação Lava Jato, em particular contra o ex-presidente Lula. Para os comunistas há um tentativa de inviabilizar a atuação política e até naturalizar uma eventual prisão de Lula. Neste sentido, o partido se solidariza com o ex-presidente e se empenha para defende-lo.

Em síntese, afirmou Luciana Santos, “a inteligência política e econômica brasileira foram subjugados pela conjunção de interesses fisiológicos e pelo oportunismo político de visão de curto prazo. A disputa pelo conflito distributivo e o medo do prolongamento do ciclo progressista, levaram a direita brasileira optar por atalhos ao poder que levou o país a uma encruzilhada complexa e difícil de sair”. Para ela, “está no centro da ação política a busca de saídas para a encruzilhada a qual o Brasil foi levado”.

Saída para crise

Num quadro marcado por acentuada estabilidade política, o governo Temer opta como estratégia de sobrevivência adiantar as reformas, em especial a da previdência. Com isso, o presidente ilegítimo cumpre o vergonhoso papel que lhe foi delegado ao encabeçar um golpe de estado e “entrega a mercadoria prometida”. Em reação, cresce acentuadamente a insatisfação social contra o governo ilegítimo, que colhe acentuações índices de rejeição. Segundo a pesquisa VoxPopuli/CUT divulgada 78% dos brasileiros querem a cassação de Temer e 90% querem substitui-lo através de eleições diretas. Nesse sentido, segundo Luciana Santos, tem importância fundamental a Greve Geral convocada por todas as centrais sindicais e apoiada pelo conjunto do movimento sindical, bem como os atos que ocorrerão no 1º de Maio, Dia do Trabalhador. Para ela, manifestações são em defesa dos direitos e deverão também levantar a bandeira da defesa da democracia. Nas atividades dos dias 28 de abril e 1º de Maio, o PCdoB marcará presença expressiva. A militância comunista, que já está envolvida na convocação, preparação e mobilização, deverá comparecer aos atos com as bandeiras do partido e em grande número.

Luciana Santos também abordou a questão do sistema partidário brasileiro e a reforma política em debate. Para ela, o Brasil vive o risco de ver a desestruturação de seu sistema político e surgir um mais fechado, autoritário e restritivo. “ Os setores retrógrados, apoiados pela chamada “grande mídia”, pretendem excluir justamente a dinâmica da política da vida nacional”, afirmou a presidenta do PCdoB. Para ela “as forças conservadoras mais tradicionais, assim como as que pretendem se apresentar renovadoras e até como “ apolíticas” buscam uma reforma política que as mantenha no centro do poder, restringindo a pluralidade e a possibilidade de que as forças de esquerda possam voltar ao governo central”. Luciana considera que “os comunistas devem atuar de modo objetivo e centrado em torno da reforma política, buscando condições para manter existência e funcionamento do parlamento das forças progressistas, em particular os comunistas”. Ela considera que temas como o financiamento público eleitoral, o voto em lista, voto proporcional e distrital, assim como a cláusula de barreira deverão pontuar o debate sobre a reforma política. O PCdoB ampliará o diálogo com outras forças políticas visando a aprovação de uma reforma que preserve uma representação democrática da diversidade brasileira. A direção nacional constituiu um grupo de trabalho para tratar sobre o tema.

Tendo como centro a defesa do estado democrático de direito, Luciana Santos considera necessário um amplo diálogo com o conjunto da sociedade brasileira visando encontrar saídas para a crise em que se encontra o Brasil. A presidenta do PCdoB afirmou que o partido faz “um chamado a nação em busca de desvendar saídas para o Brasil, para a criação de pressupostos e a formação de uma frente ampla em defesa da democracia e do Estado de direito”. A iniciativa do PCdoB se soma a outras que já se encontram em curso como a do ex-ministro Bresser Pereira, Manifesto por um Novo Projeto de Nação; a do senador Roberto Requião, Um Projeto para o Brasil e a da Frente Brasil Popular, Plano de Salvação“. Podemos aportar elementos novos ao debate presente a partir de nossa visão sobre a encruzilhada que vive o Brasil”, finalizou Luciana.

Do Portal Vermelho

Foto: Clécio Almeida