PCdoB divulga nota repudiando ataques terroristas na França

PCdoB divulga nota repudiando ataques terroristas na França

Em nota divulgada nesta quarta-feira (14), o Partido Comunista do Brasil (PCdoB), repudiou os ataques terroristas ocorridos recentemente na França, contra a sede do jornal Charlie Hebdo e de um supermercado, e se solidarizou com os familiares das vítimas.  O texto ressalta que “os motivos que levaram aos atentados vão além de um ataque à liberdade de expressão e de imprensa, de um lado, e de desrespeito à fé muçulmana, de outro” e que “também são reflexos da complexa e latente crise econômica e social pela qual passam a França e os demais países europeus, parte da crise capitalista mundial, e das políticas de ingerência e agressão a países soberanos”.

O PCdoB reafirma que nada justifica o assassinato de civis inocentes e lembra, ainda, o brutal ataque terrorista à Baga, na Nigéria, onde centenas de pessoas foram mortas  pouco tempo depois do ataque ao Charlie Hebdo, sem receber da mídia e das autoridades internacionais a mesma atenção dedicada aos franceses. Para os comunistas a superação deste cenário e o combate aos crimes mencionados “passa pela defesa da paz, da soberania dos povos, do desenvolvimento econômico e social, e do Estado laico; passa pela ampliação das liberdades democráticas, dos direitos econômicos e sociais, pelo desenvolvimento de políticas orientadas aos imigrantes, que devem ter plena cidadania e igualdade de direitos e oportunidades nos países que escolhem viver e trabalhar”.

Leia a nota completa:

Pela paz, pela liberdade de expressão e de culto religioso, contra o terrorismo e as agressões imperialistas

 

O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) vem a público expressar seu repúdio aos atentados terroristas ocorridos há alguns dias na França, contra a sede do semanário Charlie Hebdo e um supermercado, que levaram à morte mais de uma dezena de pessoas e deixaram outras em estado grave. Os atentados desencadearam uma série de outros incidentes, como ataques a mesquitas no interior da França e tiroteios nos subúrbios de Paris. Expressamos neste momento de dor nossa solidariedade aos familiares das vítimas.

Os motivos que levaram aos atentados vão além de um ataque à liberdade de expressão e de imprensa, de um lado, e de desrespeito à fé muçulmana, de outro. Os motivos também são reflexos da complexa e latente crise econômica e social pela qual passam a França e os demais países europeus, parte da crise capitalista mundial, e das políticas de ingerência e agressão a países soberanos.

Com o agravamento da crise econômica, as forças de extrema-direita, xenófobas e racistas, tem ampliado suas críticas e ações contra os imigrantes, particularmente aos de origem mulçumana, que na França superam os 6 milhões. Os imigrantes, são em geral procedentes de antigas colônias e de países que sofreram com agressões nos últimos anos, vivem nas periferias dos grandes centros urbanos, sem acesso aos serviços públicos e sofrendo diversos tipos discriminação, como proibição do uso de suas roupas e de construção de seus templos.

O Estado francês tem se notabilizado por uma política neocolonialista-imperialista contra nações soberanas. Nos últimos anos destacamos o caso da agressão militar a Líbia, o apoio a grupos terroristas fundamentalistas na Líbia e na Síria, além de intervenção em outros países africanos. Nos casos da Líbia e da Síria, o Estado francês, ao lado dos EUA e de outros países da OTAN, da Turquia e das petro-monarquias do Golfo como a Arábia Saudita e o Catar, apoiou e vem apoiando esses “rebeldes”, como a mídia monopolista e os governos franceses de Sarkozy e Hollande já chamaram os milicianos de grupos como a Al Qaeda e o Estado Islâmico. Agora, hipocritamente, depois de apoiá-los e financiá-los quando lhes interessou, os transformam em pretexto para a restrição de liberdades civis na Europa e para uma reedição da “guerra global contra o terror” lançada pelo presidente dos EUA, George Bush. As mesmas medidas antidemocráticas de espionagem e subversão de direitos civis adotadas após o 11 de setembro nos EUA agora são reclamadas pelo governo francês e por outros governos europeus.

Os ataques contra o semanário Cherlie Hebdo na França, se dão em um momento em que a maioria da população repudiava as agressões à Síria e onde o parlamento francês acabara de anunciar apoio ao reconhecimento do Estado da Palestina. As conseqüências destes atos são o fomento do clima de tensão e fortalecimento dos grupos de extrema direita e anti-islâmicos existentes na França e por toda a Europa, fragilizando o convívio entre os povos, fomentando a xenofobia, o racismo e a intolerância.

O PCdoB condena todas as ações que levem ao fortalecimento de grupos de extrema direita, anti-imigrantes e anti-islâmicos. Alerta para o risco de instrumentalização de um sentimento de comoção para apoio a políticas belicistas e xenófobas, que alimentam o crescimento da extrema direita na França e na Europa. Um exemplo disto foi a participação do primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, acusado por terrorismo de Estado contra o povo palestino, na manifestação realizada no último domingo.

Foram os partidos de esquerda e os movimentos sociais da França que convocaram manifestações pela paz e em solidariedade às vítimas, e em defesa da liberdade de expressão, manifestações estas que foram apropriadas pelos dirigentes imperialistas europeus e pela mídia monopolista, como na marcha de sábado passado. É preciso lembrar que há poucos meses, na mesma capital Paris, foram proibidas manifestações de solidariedade às milhares de vítimas de Gaza, Palestina, mortas e feridas pelos ataques terroristas do Estado de Israel aos palestinos de Gaza.

Nada justifica o assassinato de civis inocentes, na França, na Palestina, no Afeganistão, no Iraque, na Líbia, na Síria, na Nigéria e em nenhum país do mundo. No dia seguinte aos atentados em Paris, atentados terroristas mataram centenas de pessoas em Baga, na Nigéria, entretanto não tiveram destaque na mídia monopolista, nem houve campanha internacional em solidariedade às vítimas. Nos somamos à indignação contra todos esses atos terroristas e afirmamos que estaremos atentos aos desdobramentos dos acontecimentos.

No entanto, a forma efetiva de combater ditos crimes passa pela defesa da paz, da soberania dos povos, do desenvolvimento econômico e social, e do Estado laico; passa pela ampliação das liberdades democráticas, dos direitos econômicos e sociais, pelo desenvolvimento de políticas orientadas aos imigrantes, que devem ter plena cidadania e igualdade de direitos e oportunidades nos países que escolhem viver e trabalhar. Para isso também é preciso o respeito e a tolerância com os diferentes credos e cultos religiosos. E principalmente, por um fim às políticas neocoloniais e de agressão imperialista aos povos.

Renato Rabelo – Presidente Nacional do PCdoB
Ricardo Alemão Abreu – Secretário de Relações Internacionais do PCdoB