Pernambucano “Tatuagem“ é eleito o melhor filme no Festival de Gramado

Pernambucano “Tatuagem“ é eleito o melhor filme no Festival de Gramado
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O pernambucano “Tatuagem”, dirigido por Hilton Lacerda, levou o Kikito de melhor filme da edição 2013 do festival, em cerimônia de premiação realizada na noite deste sábado (18), no Palácio dos Festivais. O longa também rendeu a Irandhir Santos o prêmio de melhor ator.
 
Ambientado no ano de 1978, o filme retrata um cabaré de Recife, onde a contestação ao regime militar vigente é feito por meio do deboche e da anarquia. Nesse ambiente, Clécio, o líder de um grupo teatral interpretado por Irandhir, tem um relacionamento com Paulete (Rodrigo Garcia) até que se apaixona pelo jovem soldado Fininha (Jesuíta Barbosa).
 
Segundo o diretor, o tema central de “Tatuagem“ é o afeto, o amor e a amizade. “Estou muito feliz. Queria agradecer a essa equipe incrível que trabalhou no filme. Cinema se faz com amizade e muito amor. E eu só sei fazer cinema com essas pessoas. O nosso filme é uma homenagem à liberdade e à amizade. Queria dedica-lo à possibilidade de abrirmos outros olhares”, discursou Hilton, roteirista de filmes como “Amarelo Manga“ e “A Febre do Rato“, que dirigiu seu primeiro longa-metragem de ficção.


Equipe de Tatuagem. Foto: Edson Vara/PressPhoto

 
O prêmio de melhor de direção foi para uma dupla de jovens realizadores de São Paulo, Andradina Azevedo e Dida Andrade, por “A Bruta Flor do Querer“, o primeiro longa-metragem fruto de uma parceria iniciada em 2007. “É incrível ganhar esse prêmio com tanta fera concorrendo. A gente sempre ganha menção honrosa, mas hoje deu“, comemorou Dida.
 
Já esperado, o Kikito de melhor atriz foi para Leandra Leal, por sua interpretação de uma mulher grávida que perde o marido assassinado em “Éden“, de Bruno Safadi. No discurso de agradecimento, ela dedicou o prêmio às mães que criaram os filhos sozinhas, depois de perderam o parceiro da mesma forma. É a segunda vez que ela ganha o prêmio em Gramado.
 
O Palácio dos Festivais também viveu um momento de emoção ao relembrar um dos maiores atores brasileiros, Walmor Chagas. Ele ganhou o prêmio de ator coajuvante por “A Coleção Invisível“, dirigido por Bernard Attal e no qual contracena com Vladimir Brichta. Foi o último trabalho do ator no cinema antes de se suicidar, em janeiro deste ano. “A gente conviveu com um esplendor de ator. Aprendemos muito com ele“, disse Brichta.
 
Nos prêmios técnicos, a animação gaúcha “Até que a Sbórnia nos Separe“ venceu em melhor direção de arte, pelo trabalho primoroso de Eloar Guazzelli e Pilar Prado. A fotografia de “A Bruta Flor do Querer“, de Gallo Rivas, foi eleita a melhor pelo júri. O veterano cineasta e dramaturgo Domingos de Oliveira saiu de Gramado com mais um Kikito, o de melhor roteiro. Já o troféu por trilha musical ficou com DJ Dolores, por “Tatuagem“. 
Entre os longa-metragens estrangeiros na competição, o documentário “Repare Bem“, da atriz e realizadora portuguesa Maria de Medeiros, foi escolhido o melhor filme. Apesar de ser um filme português, a obra trata de uma história e de uma personagem bem brasileira, a ex-presa política Denise Crispim, companheira do guerrilheiro Eduardo Leite “Bacuri“, morto pela ditadura militar em 1970.
 
Essa foi a a grande surpresa da noite. Até então, o júri de Gramado vinha consagrando o filme colombiano “Cazando Luciérnagas“, dirigido por Roberto Flores Prieto. O longo venceu quatro dos seis Kikitos em disputa. Além de melhor filme, só não arrebatou o prêmio de melhor ator, que ficou com o uruguaio Cesar Trancoso por “A Oeste do Fim do Mundo“.
 
Foi um curta-metragem, no entanto, o filme que saiu de Gramado com o maior número de Kikitos. “Acalanto“, do Maranhão, levou para casa seis troféus, entre eles o de melhor filme e o de melhor diretor para Arturo Saboia e o de melhor atriz para Léa Garcia,  além do prêmio do júri popular. O filme também conta com a participação do ator Luiz Carlos Vasconcelos.
 
Todos os premiados

Longas-metragens brasileiros

Melhor filme: “Tatuagem“ (PE), de Hilton Lacerda
Melhor diretor: Andradina Azevedo e Dida Andrade, por “A Bruta Flor do Querer“ (SP)
Melhor ator: Irandhir Santos, por “Tatuagem“ (PE)
Melhor atriz: Leandra Leal, por “Éden“ (RJ)
Melhor ator coadjuvente: Walmor Chagas, por “A Coleção Invisível“ (BA)
Melhor atriz coadjuvante: Clarisse Abujamra, por “A Coleção Invisível“ (BA)
Melhor roteiro: Domingos de Oliveira, por “Primeiro Dia de Um Ano Qualquer“ (RJ)
Melhor fotografia: Gallo Rivas, por “A Bruta Flor do Querer“ (SP)
Melhor montagem: Karen Harley, por “Os Amigos“ (SP) 
Melhor direção de arte: Eloar Guazzelli e Pilar Prado, por “Até que Sbórnia nos Sepere“ (RS)
Melhor trilha musical: DJ Dolores, por “Tatuagem“ (PE)
Melhor  desenho de som: Edson Secco, por “Éden“ (RJ)
Prêmio do júri oficial: “Revelando Sebastião Salgado“ (RJ), de Betse de Paula
Prêmio do júri popular: “Até que a Sbórnia nos Separe“ (RS) e “A Coleção Invisível“ (BA) 
Longas-metragens latino-americanos
Melhor filme: “Repare Bem (POR)“, de Maria de Medeiros
Melhor diretor: Roberto Flores Prieto, por “Cazando Luciérnagas“ (COL)
Melhor  ator: Cesar Troncoso, por “A Oeste do Fim do Mundo (ARG/BRA)
Melhor atriz: Valentina Abril, por “Cazando Luciérnagas“ (COL)
Melhor roteiro: Carlos Franco Esguerra, por “Cazando Luciérnagas“ (COL)
Melhor fotografia: Eduardo Ramírez Gonzáles“, por “Cazando Luciérnagas“ (COL)
Melhor filme júri popular: “A Oeste do Fim do Mundo (ARG/BRA)“, de Paulo Nascimento
Prêmio especial do júri: Grupo de Teatro Catalinas Sur, por “Venimos de Muy Lejos“ (ARG)
Curtas-metragens nacionais
Melhor filme: “Acalanto“ (MA), de Arturo Saboia
Melhor diretor: Arturo Saboia, por “Acalanto“ (MA)
Melhor ator: Kauê Telloli, por “A Navalha do Avô“ (SP)
Melhor atriz: Léa Garcia, por “Acalanto“ (MA)
Melhor roteiro: Francine Barbosa e Pedro Jorge, por “A Navalha do Avô“ (SP)
Melhor fotografia: Alexandre Samori, por “Arapuca“ (SP)
Melhor montagem: GilbertoScarpa e Vinícius Gotardelo, por “Merda!“ (MG)
Melhor direção de arte: Rogério Tavares, por “Acalanto“ (MA)
Melhor trilha musical: Luiz Oliviéri, por “Acalanto“ (MA)
Melhor desenho de som: “Tiago Bello, Rita Zart e Marcos Lopes, por “Tomou Café e Esperou“ (RS)
Prêmio do júri popular: “Acalanto“ (MA), de Arturo Saboia
Menção honrosa: “Carregadores do Monte“ (SP), de Cassio Santos e Julio Lucena
Prêmio especial do júri: “Os Filmes Estão Vivos“ (RS), de Fabiano de Souza e Milton do Prado
Prêmio Canal Brasil: “A Navalha do Avô“ (SP), de Pedro Jorge

Prêmio do Júri da Crítica
Melhor longa brasileiro: “Tatuagem“ (PE), de Hilton Lacerda
Melhor longa latino-americano: “Repare Bem (POR)“, de Maria de Medeiros
Melhor curta nacional: “Os Filmes Estão Vivos“ (RS), de Fabiano de Souza e Milton do Prado
Prêmio Dom Quixote
 
Vencedor: “Repare Bem (POR)“, de Maria de Medeiros
Menção Honrosa: “Venimos de Muy Lejos“ (ARG), de Ricardo Piterbarg
Menção Honrosa: “A Oeste do Fim do Mundo“ (ARG/BRA), de Paulo Nascimento

Fonte: G1
Foto destaque: Itamar Aguiar/PressPhoto