Por indicação de Luciana, mestra Joana recebe homenagem da Câmara dos Deputados

Por indicação de Luciana, mestra Joana recebe homenagem da Câmara dos Deputados

Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, a Câmara dos Deputados realizou hoje uma sessão solene de outorga da medalha Mietta Santiago, que agraciou mulheres que se destacaram na promoção de ação em defesa dos direitos das mulheres, que promovam a melhoria da qualidade de vida das mulheres; o aumento da liderança e participação das mulheres na sociedade; a eliminação de todas as formas de violência contra as mulheres e meninas; e a formulação de leis, políticas e programas de igualdade entre homens e mulheres.

Entre as homenageadas estava a professora e mestra de Maracatu Joana Darc, primeira mulher a comandar uma nação de baque virado no país, o maracatu Encanto do Pina, e que desenvolve um trabalho de empoderamento feminino e combate à violência contra a mulher no Maracatu Baque Mulher.

“Sinto muito orgulho em ter proposto essa homenagem à nossa querida mestra Joana, porque ela representa a garra e a coragem da mulher brasileira. Uma pernambucana que derrubou tabus — é a primeira mulher a comandar uma nação de baque virado no país—, que luta e enfrenta de cabeça erguida às intempéries da vida. O trabalho dela é digno do aplauso não só da Câmara dos Deputados, mas de todo o país” , comentou a deputada Luciana.

Durante a sessão mestra Joana agradeceu a honraria e disse que estar à frente de um movimento de mulheres é como fazer parte de um todo, onde cada parte é fundamental. “Se queremos fazer algo grande, importante e que traga orgulho, precisamos fazer no coletivo, em família”, iniciou.

Emocionada, Joana agradeceu à deputada Luciana Santos pela indicação e dedicou a medalha à sua família e às yalorixás que lhe são referência e a “A todas as mulheres do Baque Mulher, guerreiras que andamos juntas nessa luta diária que ultrapassamos todos os obstáculos e continuamos em busca de que nossos direitos civis sejam garantidos”.

No plenário os agbês saudavam a fala da mestra. “É por esse baque que eu ergo a voz. Eu não ando sozinha, eu venho por mim; venho por todas!”, finalizou.

Mestra Joana

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Joana D’arc da Silva Cavalcante, Mestra Joana,é uma das artistas populares pernambucanas de maior projeção no cenário do país.

É a única mulher, até nossos dias, a coordenar e apitar o batuque de um maracatu de baque virado, Nação do Maracatu Encanto do Pina, além de liderar dois outros grupos: Baque Mulher ( grupo de maracatu de baque virado só de mulheres e que tem como tema o fim da violência contra a mulher) e Mazuca da Quixaba (grupo de coco de terreiro). É também coordenadora e coreógrafa do naipe dos Abês da Nação do Maracatu Porto Rico.

Professora e mestre de maracatu, dominando dos fundamentos religiosos à todas as áreas de expressão artística ligadas ao maracatu de baque virado – da concepção à confecção de roupas, adereços, loas, técnicas instrumentais , arranjos, danças, mestra Joana tem seu aprendizado artístico do universo do maracatu plantado nos espaços do bairro do Pina, observando não apenas os mestres afamados, mas a todos os batuqueiros, dançarinos, costureiros e brincantes da Nação do Maracatu Porto Rico e da Nação do Maracatu Encanto do Pina, nações que ela frequentou desde menina.

Em 1999, sentindo a carência de opções culturais e de lazer das crianças e adolescentes do Bode, bairro do Pina, criou o grupo Oxum Opará com meninas de 7 a 18 anos. Trabalhou como agente jovem da prefeitura do Recife junto ao quilombo urbano Ilha de Deus, no bairro do Imbiribeira, onde desenvolveu um trabalho de reintegração a sociedade com jovens e crianças e criou o Maracatu Axé da Ilha. Foi voluntária do CAPS (Centro de atenção psicossocial) onde trabalhou com aulas de percussão com os pacientes.

Apesar desta intensa atividade cultural, acrescida da sua atividade profissional e a de mãe e esposa, Mestra Joana continua seu trabalho social na comunidade do Pina com mulheres da comunidade envolvendo aulas de costura, confecção de adereços e dança, além de promover a festas para crianças da comunidade e arrecadação de alimentos e outras necessidades com voluntários.

Baque Mulher

Foto: Allex Araujo/Assessoria

Foto: Allex Araujo/Assessoria

O grupo Baque Mulher, é o único e primeiro grupo de maracatu de baque virado composto só por mulheres, principalmente adolescentes e mulheres da comunidade do Pina e Ilha de Deus. O Baque Mulher desenvolve uma militância a favor da luta das mulheres, na luta contra a violência contra a mulher e que tem como símbolo desta atuação a loa Maria da Penha:

Maria da Penha é forte / É forte pra valer
Com sua força e coragem fez a lei acontecer
A lei Maria da Penha / Agora eu já sei
Mulheres do Mundo inteiro / Com garra pra vencer
Vamos unir as nossas forças e fazer acontecer
Tem direito a liberdade
 /Tem direito de viver
Tem direito de ter direito, tem direito de vencer

Discurso completo

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Bom Dia

Estar a frente desse movimento de mulheres é saber ser parte de um todo; é como ser uma parte fundamental de um corpo, mas sabendo que sem as outras partes do corpo, a parte que sou não teria serventia.

Ter a capacidade de trabalhar bem em equipe com humildade, tolerância, inteligência emocional, companheirismo e acima de tudo muito amor e esperança. Ninguém é nada sozinho. E se queremos fazer algo grande, importante e que traga orgulho, precisamos fazer no coletivo, em família.

Alcançar os objetivos e abrindo margens para outros, com esforço coletivo é muito mais prazeroso e muito mais gratificante.

Agradeço imensamente a querida deputada federal Luciana Santos pela indicação.

Sou grata por representar as mulheres pernambucanas, sendo a única mulher mestra a frente de uma nação de maracatu.

Essa medalha dedico primeiramente as minhas mães do Pina. em especial a minha vó dona Maria Cândida, a yalorixá Mãe Quixaba.

A minha mãe biológica Maria do Carmo, a yabasse Mãe Carminha de Oxum.

As yalorixás que também são minhas bases, meus espelhos: Mãe Maria Helena; Mãe Enezia; e Mãe Laura;

Ao meu filho João que luta comigo diariamente, ao bebê que está em meu ventre;

A minha filha Jhayanna Cavalcante Chacon; minha eterna Jhaay, meu amor além da vida. Que todos os dias me ensina, me fortalece e me incentiva lutar por mim, por ela e por todas nós mulheres.

Ao meu companheiro mestre Shacon Viana, por nossa historia de vida e luta para continuarmos a viver.

A todas as mulheres do Baque Mulher, guerreiras que andamos juntas nessa luta diária, que ultrapassamos todos os obstáculos e continuamos em busca que nossos direitos civis sejam garantidos.
Aos apoios, homens, que estão juntos na luta por igualdade respeito e um Brasil melhor.

É por esse baque que eu ergo a voz.
Eu não ando sozinha.
Eu venho por mim.
Venho por todas nós.

De Brasília;

Ana Cristina Santos

Fotos: Richard Silva/PCdoB na Câmara