Resultado não aponta vitória para nenhum dos lados, diz Luciana Santos

Resultado não aponta vitória para nenhum dos lados, diz Luciana Santos

A deputada Luciana Santos, presidente nacional do PCdoB, opinou sobre o resultado da votação na Comissão Especial que analisa pedido de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff. Na noite desta segunda-feira (11), os parlamentares decidiram por 38 votos favoráveis a 27 contrários, apresentar o relatório para apreciação do plenário.

“A aprovação do relatório do deputado Jovair Arantes já era esperada. Este relatório teve caráter eminentemente político, não levou em consideração todos os argumentos técnicos e jurídicos que foram apresentados pelo ministro Eduardo Cardozo, da Advocacia Geral da União, e pelos parlamentares que fizeram parte da Comissão”, ponderou a deputada.

Os votos conquistados pelos favoráveis ao golpe correspondem a 58% dos votos; para que o processo seja aprovado no plenário seriam necessários 66%. “Os defensores do golpe, que tentam a todo custo interromper o mandato da presidenta Dilma Rousseff, precisam, portanto, percorrer um longo caminho para atingir os necessários dois terços do plenário”, disse Luciana. “Assim esse resultado não é decisivo e nem aponta vitória para nenhum dos lados. O quadro geral é de indefinição”.

A votação está marcada para começar na próxima sexta-feira (15) e deve seguir pelo final de semana. De acordo com a presidenta do PCdoB o partido seguirá mobilizando nas redes, nas ruas e no Congresso Nacional. “O que está em xeque não é a aprovação ou a reprovação do governo. Ao proferir o voto, cada deputado, cada deputada, terá diante de si um plebiscito: terá que se pronunciar pelo SIM ou pelo NÃO à democracia”, avisa.

Orientando a bancada

Luciana passou todo o dia acompanhando os debates na comissão. À tarde ela orientou o voto da bancada comunista, junto com o líder Daniel Almeida (BA).

Luciana disse que está comprovado tecnicamente e juridicamente que não há nenhum crime de responsabilidade imputado à presidenta da República. “O que está em jogo na verdade é o futuro do país, um país que tem uma jovem democracia. O que está em jogo é a quebra de institucionalidade”.

Parafraseando o pernambucano Barbosa Lima Sobrinho, que dizia que no Brasil existiria dois partidos — o de Tiradentes, que defende os interesses do Brasil, e o de Joaquim Silvério dos Reis que trai os interesses do país — a parlamentar disse que o que tem acontecido nos últimos dias ao longo do “processo golpista”, é um conluio, uma conspiração comandada pelo deputado Eduardo Cunha e com o aval do vice-presidente Michel Temer. “E o que é que espanta a população brasileira? É que o presidente Eduardo Cunha é réu em 7 processos do ministério público federal”, frisou.

Seguindo em seu pronunciamento Luciana disse que a população espera a superação desta crise e o enfrentamento com altivez dos grandes desafios nacionais, e que não quer uma “ponte para o passado”, explícitada no programa que a oposição quer impor ao Brasil. “Se quiserem impor o seu programa retrógrado que tira direitos, que ganhem as eleições nas urnas”, enfatizou.

A deputada fez ainda, uma crítica ao programa Uma ponte para o futuro, apresentado pelo PMDB. Ela criticou a proposta de desvincular do orçamento os percentuais para a Saúde e a Educação e de aumento do superávit primário, que para Luciana significa “drenar recursos para o rentismo do sistema financeiro”. “O que se quer é ameaçar direitos e conquistas, entregar ativos como o Pré-Sal – que é estratégico para o povo brasileiro e que vai garantir que o Brasil esteja num patamar que vai poder investir 10% do PIB para Educação”.

“Precisamos avançar na superação da crise e no desenvolvimento do país e essa ponte apresentada não se constitui como um caminho. Se a oposição quer impor a sua agenda, que ganhem as eleições. Por que perderam as eleições em 2002, 2006, 2010, o primeiro e o segundo turnos de 2014, e vão perder o terceiro turno agora em 2016”, enfatizou.

De Brasília;
Ana Cristina Santos

Foto: Richard Silva/PCdoB na Câmara