Seminário Internacional apresenta propostas para gestão da Empresa Pernambuco de Comunicação – EPC

Seminário Internacional apresenta propostas para gestão da Empresa Pernambuco de Comunicação – EPC


Com o objetivo de promover o debate entre professores, jornalistas, estudantes e especialistas do setor da comunicação, a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação de Pernambuco(Secti), em parceria com a UNICAP, realizaram, nos últimos dias 18 e 19 de fevereiro o “Seminário Internacional de Comunicação: perspectivas para a Empresa Pernambuco de Comunicação – EPC”. O encontro, que aconteceu no auditório da Universidade Católica de Pernambuco, mais uma vez trouxe a construção da EPC ao centro do debate.

O primeiro dia de evento foi marcado pelos debates. Foram quatro mesas com temas que permearam sobre as principais demandas do setor, especialmente os da Radiodifusão Pública. Na primeira mesa do dia “Perspectivas para a Radiodifusão Pública no Brasil” coordenada por Indira Amaral, Juliana Sawaia – do Kantar Ibope Media – apresentou dados sobre o comportamento das pessoas no consumo das informações apresentadas na TV brasileira. Coube à Pola Ribeiro, secretário de Audiovisual do Ministério da Cultura – integrante da mesa, equilibrar o debate do ponto de vista das responsabilidades sociais: “As pessoas estão gritando que querem também falar. Os meios públicos deveriam estar aí para isso. Comunicação é um direito da sociedade, e o Estado tem a obrigação de financiá-lo…”, disse ele.

A segunda mesa foi mediada por Jacques Barcia, do Porto Digital, e contou com a participação de Raoni Kulesza da Universidade Federal da Paraíba – UFPB, e Regina Lúcia Alves de Lima, ouvidora do Ministério da Cultura. Com o tema “TV Pública e Tecnologia: Convergência com Participação?”, Raoni falou sobre o sistema de TV Digital brasileiro e o middleware Ginga, que trouxe questões polêmicas para o debate como uma possível extinção da televisão – ou do seu suporte, aparelho televisivo. Regina Lúcia ponderou sobre a necessidade da construção de uma radiodifusão com uma verdadeira identidade brasileira antes de qualquer convergência para o digital, “’Infelizmente a realidade no Brasil ainda é construída pela televisão. E esta televisão é privada”, provocou ela.

SEMINARIO CATOLICA 2A deputada federal Luciana Santos prestigiou o seminário no início dos trabalhos do período da tarde, e, quando chamada à mesa, enfatizou que “uma comunicação pública democrática é essencial para um país democrático. Esse é um debate importante sobre uma das reformas estruturantes que o País precisa, um direito humano básico. Infelizmente desde o início da existência da comunicação no nosso País – seja de jornais, rádio ou TV – ela já nasceu contaminada pelo sistema privado”, disse ela.  

Com os desafios postos em debate nas mesas anteriores, na Mesa 3 foi possível colher boas notícias. Com o tema “A Programação da TV Pública: Qual conteúdo?”, Ivan Moraes Filho (Centro de Cultura Luiz Freire) coordenou o bate-papo com Danilo Rothberg, da Unesp, e Israel do Vale, da Rede Minas. Parte da pesquisa de Rothberg sobre a criação e desenvolvimento da tv pública britânica BBC foi abordada no debate, e, junto com a experiência positiva da Rede Minas apresentada por Israel, foi possível mensurar os caminhos para uma produção diversificada e plural de conteúdos brasileiros; uma rede pública nacional; suas demandas iniciais e possíveis gargalos.

O último debate do primeiro dia de seminário aconteceu durante a noite, e foi sobre “A Radiodifusão na América Latina”. Com a mediação de Juliano Domingues, da Universidade Católica de Pernambuco – UNICAP, o representante do Ministério das Comunicações Octávio Penna, apresentou um panorama da situação atual da implantação da TV Digital brasileira, e Martín Becerra da Universidad de Quilmes (ARG) comentou a implantação da Lei de Serviços de Comunicação Audiovisual, conhecida como Ley de Medios, na Argentina.

Grupos de Trabalho
O último dia de encontro foi reservado para a formação de grupos de trabalho e apresentação das propostas que serão entregues à gestão da Empresa Pernambuco de Comunicação – EPC. Os participantes do seminário puderam optar em participar pelos grupos: Conteúdo de Participação Social; Financiamento e Sustentabilidade; Governança e Gestão; Tecnologia e Inovação. Em uma plenária final, coordenadoras/es  e relatoras/es dos GTs apresentaram as propostas dos integrantes de cada grupo.  
Do Recife;
João Paulo Seixas