Sessão emocionante marca lançamento da Mesa Vermelha em Brasília

Sessão emocionante marca lançamento da Mesa Vermelha em Brasília
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“Em tempos de apologia ao individualismo e ao pragmatismo ver esse filme renova nossa esperança e o sentimento de que vale a pena lutar por um mundo melhor”, disse a deputada Luciana Santos.

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“Em tempos de apologia ao individualismo e ao pragmatismo ver esse filme renova nossa esperança e o sentimento de que vale a pena lutar por um mundo melhor”, disse a deputada Luciana Santos, presidenta da Frente de Cultura do Congresso Nacional, ao assistir o documentário A Mesa Vermelha, lançado em Brasília, na terça-feira (18). 
 
O evento foi realizado pela Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados. Luciana, requerente da sessão, encerrou o ato com lágrimas nos olhos e agradeceu pelo mergulho tão sensível num momento tão delicado da história brasileira. “É um filme denso, mas construído com muito cuidado, com muito zelo. É sempre emocionante esse reencontro com a história das pessoas responsáveis pela construção da democracia que vivemos hoje”, afirmou.
 
Após 1h17 minutos imersos no universo de 23 ex-presos políticos da ditadura militar em Pernambuco, suas lembranças, ideias e esperanças, os espectadores se entregaram à emoção e entre lágrimas e abraços elogiavam o trabalho da diretora Tuca Siqueira. “Seu filme deveria ser visto por todo esse Brasil”, disse um dos funcionários responsáveis pela técnica da exibição ao abraçar a cineasta. 
 
“Esse filme chega ao público num momento em que é importante tirar o véu que cobre a verdade em nosso país, a juventude não conhece a nossa história e dentro do projeto Marcas da Memória nosso objetivo é divulgar ao máximo para que todo o povo a conheça”, explicou Lilia Gondim, idealizadora do projeto. 
 
Para Sueli Benatto, vice-presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, o projeto Marcas da Memória é uma oportunidade para conhecer a história de uma geração responsável pela resistência à ditadura e pela instalação do processo democrático em que vivemos. “É com imenso prazer que o Ministério da Justiça participa dessa iniciativa para que não se esqueça e para que nunca mais ocorra o poder arbitrário de uma ditadura militar”, salientou. 
 
O vice-prefeito do Recife, Luciano Siqueira, também participou do evento. Ele é um dos protagonistas do documentário. “Todo povo tem necessidade de reler a própria história, compreender os períodos passados para extrair lições que sejam úteis aos dias atuais”, opinou. 
 
Ele lembrou que não só os militantes foram vítimas da ditadura. “Se é verdade que nós tínhamos a cabeça a prêmio, também é verdade que nos 20 anos de ditadura quem mais sofreu foi o povo brasileiro privado das liberdades democráticas e tendo que amargar uma forma de desenvolver o país que semeou a miséria, a exclusão social e o desespero que infelicitou milhões de famílias” .
 
Em breve será concluído mais uma etapa do projeto. Será lançado um site onde todos os depoimentos estarão disponíveis integralmente, assim como os cinco debates realizados em torno da mesa vermelha. Agradecendo à Comissão de Cultura e à deputada Luciana, Tuca Siqueira acredita que o filme dialoga com o momento de protestos que passa o Brasil: –“Me sinto muito honrada em participar do projeto. Acho que todos crescemos ouvindo a história desses senhores que traz de volta valores políticos, de afeto, de motivação para ir às ruas defender uma bandeira”, explica.  “Nesse momento especial que vivemos no Brasil, especial também para contar essas história”, opina a cineasta que também dirigiu o filme Vou contar para os meus filhos, documentário sobre as mulheres, ex-presas políticas da ditadura.
 
 
De Brasília; 
Ana Cristina Santos