Sobre atitudes preconceituosas na mídia

Sobre atitudes preconceituosas na mídia

Nos últimos dias, nos deparamos com lamentáveis demonstrações de preconceito e profunda ignorância. Gostaria aqui de registrar meu repúdio a três casos emblemáticos. Primeiro, a piada infame do humorista Danilo Gentili com a maior doadora de leite do País, a pernambucana Michele Rafaela Maximino, que foi chamada de “vaca” e comparada com um ator pornô, quando deveria ser exaltada por essa atitude que ajuda a salvar vidas.

Em segundo lugar, Sr. Presidente, gostaria de lamentar o tom preconceituoso da sátira feita pelo quadro humorístico “O Baú do Baú do Fantástico”, exibido no programa Fantástico, da Rede Globo, no último domingo, dia 3 de novembro. Parece uma provocação ao movimento negro, no mês em que estamos comemorando exatamente a verdadeira saga de todo o movimento negro no País, o símbolo de Zumbi dos Palmares, que lutou contra a escravatura do nosso País; no mês da consciência negra, quando o País se reúne para discutir avanços do tema na sua III Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial. Por isso, é indigno que a TV aberta cometa tal desrespeito e veicule material tão ofensivo.

Por fim, quero me somar aos movimentos da sociedade civil. Ontem, Sr. Presidente, o SINTEPE (Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Pernambuco), com várias entidades de movimentações sociais, fizeram manifestações de rua contra o tom de deboche, desrespeitoso, no debate acerca do Plano Nacional de Educação, adotado por um jornalista da revista Veja, o Sr. Cláudio de Moura Castro.

O jornalista citou as nossas mulheres pernambucanas e cearenses, referindo-se a elas de maneira machista, racista, desrespeitosa e preconceituosa. Ele fez referência à forma como poderíamos melhorar nosso capital humano, que seria as nossas pernambucanas e cearenses namorarem engenheiros estrangeiros. Nós não aceitamos esse tipo de provocação, típica de um modo de jornalismo no Brasil que precisa ser extirpado da nossa convivência e da cena brasileira… (O microfone é desligado.)

Esses episódios, Sr. Presidente, revelam, sobretudo, um pensamento atrasado que ainda domina a maior parte da grande mídia brasileira. Eles demonstram o quanto é necessário, pelo bem da educação e pela defesa da cultura do nosso povo, garantir a democratização da comunicação e regulamentar o direito de resposta na mídia, para que liberdade seja também sinônimo de responsabilidade e para que a grande maioria da nossa população não fique submetida ao pensamento daqueles que detém o poder do capital.
Muito obrigada.