Tuca Siqueira: Resistência

Tuca Siqueira: Resistência

Hoje o dia começou mexendo comigo. Logo cedo desejei força a uma colega na defesa de sua tese de doutorado sobre mulheres fotógrafas no Recife, seus enfrentamentos e resistências.

Depois de gravar a mensagem eu caí num longo choro… Ok, melhor deixar correr, né?

Como é doce e doloroso falar do nosso processo de formação, da carreira e do mercado quando se é mulher.

Quanta paixão, quanto esforço duplicado, quantas provas, tolerância redobrada, quantos muros derrubados.

Como é tudo tão mais difícil pelo simples fato de ser mulher. Só isso.

O choro vem porque é duro lembrar daquela relação em que teu companheiro te sabotou profissionalmente até onde pôde. O quanto você foi menos e quanto tempo e energia você perdeu querendo ser apenas você.

É triste lembrar daquele chefe ou colega de trabalho que se dedicou tanto a negar a tua capacidade, de quantas vezes se ganhou menos, se escutou e se compartilhou pouco.

Tantas e tantas sobras das nossas vidas pessoais trituradas, esmagadas e digeridas nas nossas carreiras profissionais.

Quando uma mulher produz uma fotografia ou realiza um filme, ela transforma essas sobras em cajado. Com esse cajado ela caminha em direção a um horizonte que, quando não existe, ela logo trata de desenhar.

Nos últimos meses fui procurada por pesquisadoras de graduações e doutorados. Eu só queria dizer que registrar essa produção feminina no cinema e na fotografia, assim como em outras áreas, é parte das nossas “pequenas” revoluções de cada dia.

Mulheres investigando a produção feminina e diminuindo pouco a pouca essa tal de invisibilidade que insiste em caminhar com a gente.

Deixe estar que a construção dessa memória é a nossa grande revolução!

Por Tuca Siqueira em seu Facebook.