A música popular brasileira perde Carlos Fernando

A música popular brasileira perde Carlos Fernando
thumbnail_1378159494.jpg

thumbnail_1378159494.jpg

"O nosso Brasil ficou um pouco mais pobre desde o dia 1º de setembro", lamentou a deputada Luciana Santos

resize_1378159494.jpg

A música brasileria perdeu no último domingo (01/09) o cantor e compositor Carlos Fernando. Natural de Caruaru, o músico sofria de complicações causadas por um câncer e havia sido internado há dois dias no Imip, no bairro da Boa Vista, Centro do Recife. O sepultamento aconteceu na manhã desta segunda (02/09) no Cemitério de Santo Amaro 
 
Carlinhos, como era chamado pelos mais próximos, ficou conhecido por suas inovações em seus 40 anos de carreira. Misturou o frevo à MPB, o forró ao jazz.  Foi o grande  responsável pela renovação do frevo. Há mais de 30 anos, lançou o projeto Asas da América, reunindo artistas consagrados da MPB, num mesmo disco o que trouxe o frevo novamente ao mercado fonográfico do país. 

""
Carlos Fernando com Gilberto Gil em Caruaru – 1967
 

Foi parceiro de de grandes nomes da música brasileira com Alceu Valença, Geraldo Azevedo e Ivinho, emplacando vários sucesso como Siri na Lata (hino do bloco carnavalesco), A Mulher do Dia, Aquela Rosa, O Homem da Meia Noite, Sou Eu o Teu Amor, Tempo Folião e Banho de Cheiro, consagrada na
voz de Elba Ramalho.
 
Em 2011, foi um dos homenageados do carnaval do Recife pela sua importancia para a cultura local. Na década de 60, Carlos Fernando participou do Movimento de Cultura Popular de Pernambuco, um dos focos da resistância ao governo militar no estado. 

Mas Carlos Fernando não compôs apenas frevos. Ele também assinou músicas para novelas (Saramandaia e Sinhazinha Flor, da TV Globo), filme (Pátria Amada, da diretora Tizuka Yamazaki) e série de TV (O Sítio do Pica-Pau Amarelo). Sua primeira composição foi Aquela Rosa, em parceria com Geraldo Azevedo, que também estreava como compositor. Gravada em 1967 por Teca Calazans, num compacto da gravadora Rozemblit, pelo selo Mocambo, a canção conquistou o primeiro lugar no Festival de Música Popular do Nordeste, promovido pela Revista Manchete e pela TV Jornal do Commercio.
 
Esse ponta-pé inicial no universo musical se deu meio por acaso. Carlos Fernando começou no meio artístico aos 18 anos, fazendo teatro com Luiz Mendonça, fundador do Movimento de Cultura Popular no Recife. Na época, ele ainda tinha o objetivo de fazer o curso superior arquitetura. Até que escreveu uma peça de teatro chamada A chegada de Lampião no inferno, baseada no cordel de José Pacheco. Ele mostrou o texto para Geraldo Azevedo, que achou parecido com letra de música e lhe propôs a parceria que posteriormente resultaria em Aquela rosa.
 
Em 1974, já no Rio de Janeiro, onde foi viver, Carlos Fernando foi assistente de produção do célebre disco gravado em dupla por Alceu Valença e Geraldo Azevedo, lançado pela gravadora Copacabana. Foi no Rio de Janeiro que ele ampliou sua bagagem de compositor, tendo suas músicas gravadas por grandes nomes da MPB como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Jackson do Pandeiro, MPB-4, Fagner, Chico Buarque, Zé Ramalho, entre outros.
 
Em 2007, Carlos Fernando produziu e dirigiu o CD duplo 100 anos de frevo – É de perder o sapato, lançado no contexto das comemoração ao centenário do ritmo. No Carnaval de 2009, ele foi um dos homenageados do Carnaval pela Prefeitura do Recife. No mesmo ano, foi relançada a série de cinco CDs Recife Frevoé, produzida por Carlos Fernando a partir do concurso de músicas carnavalescas instituído pela prefeitura a partir de 1996, com apoio da TV Jornal. Neles, Carlos Fernando aplicou a consagrada fórmula utilizada no projeto Asas da América, mesclando composições inéditas, que concorreram no certame, com clássicos do frevo.
 

Com JC Online