Discurso de Luciana na abertura do 14º Congresso do PCdoB

Discurso de Luciana na abertura do 14º Congresso do PCdoB

Informe ao 14º Congresso do PCdoB – Brasília 17 de novembro de 2017

Estimados delegados e especialmente estimadas delegadas, mulheres que tiveram que quebrar grandes obstáculos só para se fazerem presentes ao 14º Congresso do Partido Comunista do Brasil,

Estimados convidados e convidadas, representantes de partidos irmãos,

Estimados embaixadores e embaixadoras do corpo diplomático credenciado presentes,

Camaradas;

Desde a 10º Conferência Nacional, realizada em maio de 2015, o Brasil viveu uma profunda viragem política. As elites conservadoras, não conformadas com a quarta derrota consecutiva nas urnas, optaram pelo atalho político, um golpe, ferindo a democracia e o Estado de direito. Passados 128 anos da proclamação da República, seus princípios de harmonia e equilíbrio entre os poderes foram afetados com a realização do impeachment. O governo usurpador que tomou de assalto o poder busca instaurar com celeridade uma nova ordem, de caráter neocolonial e neoliberal. Neste transcurso encontrou nas ruas, no parlamento, nos espaços do debate de ideias a resistência democrática na qual desde a primeira hora o PCdoB ocupou a linha de frente.

O processo que culmina com a realização do 14º Congresso Nacional do PCdoB teve início no mês de abril, com a reunião ampliada do Comitê Central. Nela debatemos o novo quadro político que levou o país a uma de suas maiores e mais complexas crises desde a redemocratização em 1985.

Este congresso camaradas, foi construído no calor das lutas.

O projeto de resolução, aprovado pelo o Comitê Central no último mês de julho, e que iremos examinar, foi enriquecido pela sabedoria nosso coletivo militante, com as contribuições e os debates realizados nas 27 conferências estaduais, e em dezenas de reuniões de municipais, e em centenas de encontros de Organismos de Base, além dos mais de cem artigos publicados na Tribuna de Debates. Trata-se de um projeto de resolução que expressa ampla unidade do Partido em torno da análise da cena política, e da tática que deve nos orientar e dar perspectiva a nossa jornada.

O PCdoB empreende grande esforço para se colocar à altura das tarefas e dos desafios de uma realidade instável, regressiva, perigosa, no mundo e no Brasil. Manter viva e pulsante a corrente dos comunistas na política brasileira exige fecundo trabalho teórico, político, ideológico e prático. Podemos afirmar que chegamos ao plenário do 14º Congresso fortalecidos. E isto é resultado da ação de nosso abnegado e criativo coletivo militante que no cotidiano das lutas constroem o PCdoB. Coletivo, neste Congresso, representado por vocês, queridos delegadas e delegados do 14º Congresso que fazem no dia a dia o PCdoB, um partido vivo e pulsante! Uma salva de palmas, ao nosso coletivo militante, o maior patrimônio do PCdoB!

O centro dos debates é a luta por novos rumos para o país

O objetivo central do 14o Congresso do PCdoB é dar resposta ao principal anseio da Nação e da classe trabalhadora na atualidade: retirar o país da crise e encaminhá-lo a novos rumos, do desenvolvimento e do progresso social. O projeto de resolução fundamenta, aponta uma nova tática. É fundamental, no curso da luta, construir um amplo movimento, político, econômico, social, cultural, uma Frente Ampla envolvendo as forças democráticas, populares, de esquerda e patrióticas, em torno de um projeto nacional, coletivamente elaborado por esse amplo leque de forças. Para o PCdoB esse projeto nacional, essa nova agenda para o país deve ter os seguintes fundamentos: a defesa do Brasil, de sua soberania; de suas riquezas; A recomposição, fortalecimento e a democratização do Estado nacional; a restauração da democracia e do Estado de Direito; a retomada do desenvolvimento; valorização do trabalho e o resgate do diretos da classe trabalhadora, dos direitos sociais do povo que foram e estão sendo extirpados pelo governo golpista.

Nossa tática destaca como tarefa prioritária na atual conjuntura a realização das eleições presidenciais de 2018 e respeitando à decisão soberana do voto popular. Refutamos, tentativas de truncar as eleições com eventuais medidas casuísticas, como adoção de um semipresidencialismo ou do parlamentarismo.

Nossa tática, ao formular diretrizes fundamentais para retomada de um projeto nacional de desenvolvimento, levando em conta a realidade do Brasil pós golpe, e das lições extraídas do ciclo progressista do governos Lula e Dilma, está em plena sintonia com o Programa Socialista do PCdoB que concebe a luta por um Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento, como o caminho brasileiro para o socialismo. Nosso programa, que se encontra na pasta de cada um dos delegados, que se mantém atual e vigente, nos serve de bússola neste mar tempestuoso. No meio do denso nevoeiro que paira sobre o Brasil, nosso desafio é abrir clarão, ajudar a dar perspectivas. Não nos intimidamos com as adversidades. É por isso que “faz escuro, mas eu canto!”.

Balanço na condução do partido

O congresso também debaterá o balanço do trabalho do partido no último período. Devemos extrair lições do período vivido de forma crítica e autocrítica, tendo em vista planejar as ações para o período seguinte. Por ser essencialmente político, deve levar em consideração o contexto em que se desenvolveu a atividade política e as três esferas da vida partidária. Trata-se de um período de grande reviravoltas e instabilidade política, onde o PCdoB soube, de um modo geral, se posicionar buscando sempre apresentar saídas.

É no bojo deste cenário complexo que se dá a transição na presidência do PCdoB, iniciada a partir da 10ª Conferência Nacional, em maio de 2015. Existe uma natural curva de aprendizagem, na qual espero estar enfrentando da melhor maneira possível, e buscando responder às expectativas do coletivo partidário. Tem sido um processo de aquisição de novas experiências, de superação de dificuldades, sejam elas de nível pessoal e no plano político.

Um processo que tem contado com a colaboração e compreensão dos membros da direção, em particular do apoio imprescindível do secretariado e do nosso camarada Renato Rabelo. O desafio principal para enfrentarmos esta quadra é a busca permanente da unidade e confiança, e a afirmação do método da inteligência coletiva.

I – Conflitos e tensões no mundo, ofensiva imperialista e luta dos povos

Estimados camaradas,

Faz-se necessário olharmos de modo alargado o contexto em que estamos inseridos e as características e os desafios da nossa época, o processo acelerado em que se dão profundas transformações no sistema internacional, bem como as particularidades do capitalismo contemporâneo, suas crises e as disputas no tabuleiro geopolítico. Todas elas são variáveis que incidem sobre a realidade político-brasileira e a luta pela retomada do Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento.

A principal característica da conturbada transição em curso é o declínio relativo da hegemonia da superpotência estadunidense e a emergência de novos polos de poder econômico, político, diplomático e militar, no mundo.

De um lado, imersos em profundos dilemas e contradições, os EUA, sob a presidência de Donald Trump, buscam com seu slogan “América em primeiro lugar” recuperar o dinamismo de sua atividade econômica. No entanto, do ponto de vista externo, sua retórica belicista e a atitude hostil às demais nações contribuem para a perda cada vez maior de influência.

De outro, o fenômeno mais representativo da tendência mundial é o protagonismo da China socialista como potência e a recuperação do poder nacional da Rússia, ambas atuando em parceria estratégica, e a existência do BRICS. São países onde o Estado tem tido um papel central na estratégia de desenvolvimento, controlando setores estratégicos como grandes empresas e bancos de fomento, fazendo uso da política externa como instrumento do desenvolvimento. A resultante destes fatores é o fortalecimento das tendências à multipolaridade e a desconcentração do poder hegemônico dos EUA.

Neste cenário, a China Socialista se destaca como um dos polos dinâmicos desse reordenamento do globo, e demonstra que a alternativa socialista é viável, factível, e responde aos anseios da humanidade por paz, desenvolvimento e progresso social.

Sua trajetória de desenvolvimento é um feito sem precedentes na história moderna. A participação relativa no Produto Interno Bruto (PIB) mundial – medida pelo Poder de Paridade e Compra – passou de 5% em 1980 para 17,1% em 2014, ultrapassando os EUA e a União Europeia. A participação da China na produção científica mundial saiu de 1,1% em 1993 para 16,7% em 2013, levando os produtos de alta tecnologia presentes na pauta de exportação a crescerem de 4,7% em 1992 para 29% em 2008.

Reações do imperialismo ameaçam a paz e a luta dos povos

Este contexto não é algo menor, corriqueiro, mas sim uma verdadeira mudança de época que abre grandes perspectivas para os países com projetos nacionais. No entanto, isso não ocorre de modo pacífico. As potências imperialistas reagem com virulência, com vistas a conter a emergência e a consolidação de uma nova ordem. Nenhuma grande mudança na ordem internacional ocorreu sem um grande conflito bélico.

Neste cenário, o imperialismo estadunidense e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) colocam suas armas contra os povos do mundo. As constantes ameaças, por parte do governo Trump, à República Popular e Democrática da Coreia, casualmente um país fronteiriço a um dos países do BRICS, são exemplo disto.

Ao mesmo tempo, os EUA empregam o uso de novas técnicas para produzirem conflitos de baixa intensidade. Os conflitos de quarta geração são assimétricos e diversificados. Eles se utilizam de ataques cibernéticos, disseminação de notícias falsas, guerras comerciais, desestabilização de governos com as revoluções coloridas, até a difusão por meios acadêmicos de ideias e ideologias que buscam fragmentar os grandes Estados da periferia.

É por isto, entre outros motivos, que guardam centralidade a luta anti-imperialista e a bandeira da paz.

É dentro deste contexto que podem ser lidos o golpe no Brasil e a desestabilização dos países que compunham um polo de poder na América do Sul. A onda conservadora se traduziu, com suas especificidades, na consumação do golpe de Estado no Brasil que, somado à eleição de Maurício Macri na Argentina e a intentos de desestabilização e intervenção na Venezuela e na Bolívia, fez redobrar o ímpeto da ofensiva contra os governos progressistas da região.

No entanto, os povos estão em luta, e não se dobram ante as ameaças e as agressões das forças imperialistas. Vimos o povo venezuelano resistir, e vencer, a uma intensa campanha de difamação e desestabilização da revolução bolivariana; acompanhamos a rearticulação das forças progressistas na Argentina; e a sonhada e merecida saída política para o conflito armado na Colômbia. Nos próximos meses, teremos importantes embates políticos e eleitorais em países como Chile, Colômbia, Paraguai, México.

Prestamos, de igual modo, nossa solidariedade a Cuba, que no último ano sofreu com o desaparecimento físico do Comandante Fidel Castro, que libertou o povo cubano dos grilhões da dominação imperial, e preservou a soberania da nação cubana com justiça social e liberdade. Repudiamos as manobras realizadas pelo governo Trump em abalar o processo de reaproximação diplomático e comercial entre ambos países. Saudamos deste plenário a luta do povo palestino pela constituição de seu Estado, e a brava resistência do governo e do povo sírio que enfrentam a agressão do imperialismo.

Aproveitamos a oportunidade para reafirmar o caráter internacionalista do PCdoB e seu compromisso com a solidariedade aos povos em luta contra as guerras e o imperialismo ao redor do mundo.

A crise sistêmica e estrutural do capitalismo, os trabalhadores e as transformações no processo produtivo

O outro fator estruturante do cenário internacional é a crise pela qual passa o capitalismo, que tem na atualidade a financeirização e o rentismo como características centrais. Passados dez anos desde o seu início, a crise aguçou as contradições sociais no interior das nações, bem como os conflitos internacionais. O desemprego subiu a níveis inéditos na história. O número de trabalhadores e trabalhadoras desocupadas no mundo não para de crescer. Somente em 2017 foram 3,4 milhões de novas pessoas desempregadas, chegando a um total de 201 milhões, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Esta tendência deve se manter em 2018.

Mesmo assim, de acordo com distintas agências (FMI, Banco Mundial), observa-se uma lenta retomada da atividade econômica, que terá um crescimento médio mundial de 3,5% para 2017 e projeções de 3,6% para 2018. No entanto, distintos analistas avaliam a possibilidade do surgimento de novas bolhas financeiras.

Outro fato de grande relevância é a rápida transformação no processo produtivo industrial, que irá – em curto espaço de tempo – realizar profundas mudanças no modo de produção, e transformações no mundo do trabalho.

A chamada quarta revolução industrial, – digitalização e conexão à internet do processo de produção, o uso de impressoras 3D, a robótica e a inteligência artificial -, produzirá impactos profundos e de longo alcance sobre a produtividade, repercutindo na divisão mundial do trabalho e no comercio internacional, no perfil do emprego e na distribuição de renda.

Estados com projetos nacionais de desenvolvimento definidos tem mobilizados esforços de empresas, instituições de pesquisa, universidades em torno de programas estratégicos de fomento ao avanço da ciência, tecnologia e inovação. Enquanto a China se torna a maior produtora de robos para a indústria, o Brasil não dispõem de um programa estruturado para enfrenta este desafio.

Devemos no próximo biênio realizar uma conferência, ou um encontro nacional, para debater tanto as transformações es no modo de produção como também o perfil do novo operário diante da revolução 4.0.

No limiar do século XXI o socialismo vive e inspira a humanidade

A grande questão de nosso tempo é a perspectiva. Nesta quadra da história, onde o cenário internacional passa por processos de transformação, a luta ideológica que travamos é de grande envergadura: Existe ou não alternativa ao capitalismo?

O socialismo nasce no século XX, com a gloriosa Revolução Russa – que neste mês celebra seu centenário –, e se desenvolve no século XXI como a grande alternativa para os dilemas da humanidade. É esta a convicção do Partido Comunista do Brasil.

O centenário da Revolução Russa foi devidamente comemorado pelo nosso Partido. A Fundação Maurício Grabois publicou quatro livros sobre o tema, realizamos, também, vários debates e seminários. Teremos na programação do 14 Congresso uma intervenção especial do camarada Luís Fernandes, um dos mais destacados pesquisadores de nosso país sobre a Revolução Russa, e do presidente da FMG, Renato Rabelo sobre a Nova Luta pelo Socialismo.

Nestas atividades, ressaltamos o grande legado dessa primeira grande experiência do socialismo à classe trabalhadora, aos povos e à humanidade e, ao mesmo tempo, procuramos extrair lições para impulsionar a luta pelo socialismo contemporâneo. O legado da primeira experiência de um modelo alternativo ao capitalismo é fabuloso e deixou, entre suas marcas a inspiração para que em 1922 se constituísse a primeira experiência de participação organizada dos trabalhadores na vida política nacional, com a criação do Partido Comunista do Brasil.

A Revolução Russa introduziu na agenda mundial a questão social de uma forma abrangente e profunda, promoveu amplo processo de desconcentração de renda. E colocou em um novo patamar a condição social e econômica das mulheres. A União Soviética e campo socialista contribuíram de forma decisiva para a derrota do nazi-fascismo e para libertar os povos do jugo colonial.

Passados vinte e seis anos do fim da União Soviética, uma nova luta pelo socialismo se desenvolve e se projeta como alternativa à própria crise estrutural do capitalismo.

Essa nova jornada brota das contradições e dos paradoxos do capitalismo contemporâneo. Um sistema, que se revela crescentemente incapaz de dar resposta aos anseios e necessidades da classe trabalhadora e dos povos.

A nova luta pelo socialismo se ergue da brava resistência dos trabalhadores e das trabalhadoras e das nações contra as iniquidades do sistema dominante. Alimenta-se do poder criador do marxismo, que se renova e se mostra capaz de interpretar os grandes dilemas e problemas da atualidade, e da pertinácia do movimento revolucionário que, mesmo ainda sob defensiva estratégica, está presente e atuante em países de todos os continentes.

O socialismo no século XXI está vivo e pulsante nos países que, mesmo enfrentando grandes adversidades, mantiveram sua construção, segundo as singularidades de cada um, e souberam empreender reformas, renovações e atualizações: China, Cuba, Vietnã, República Popular da Coreia, Laos.

Mesmo que uma poeira cinzenta, na atual quadra histórica, esteja a cobrir o céu azul de grande parte de nosso planeta, e que nosso país esteja sob as garras de um dos piores governos da nossa história, o PCdoB, comemora o centenário da Revolução Russa, enaltece seu legado à classe trabalhadora, aos povos, à humanidade e reafirma que o socialismo é uma relevante força viva do presente. É a alternativa e perspectiva de futuro radioso à classe trabalhadora e os povos. Camaradas, o PCdoB é o partido do socialismo!

I I – Extrair lições do ciclo progressista para impulsionar um novo rumo de desenvolvimento

Estimados convidados dos partidos e organizações amigas,

O Brasil viveu um ciclo inédito em sua história que merece ser analisado e estudado nas mais distintas formas, buscamos em nosso projeto de resolução dar seguimento ao tema, sem pretensões de o esgotar.

Pela primeira vez uma coalizão de forças lideradas pela esquerda ganhou consecutivamente quatro eleições no Brasil. Buscamos em nossa analise uma visão multilateral, que compreende os importantes avanços obtidos nas distintas esferas, e os erros e limitações, associados a intensa luta de classes vivida ao longo do período, em particular no governo da presidenta Dilma.

Fazemos esta reflexão com as lentes postas para a frente, buscando retirar lições com vistas a renovar o projeto e disputa-lo no seio da sociedade.

O papel do Estado como indutor do desenvolvimento foi resgatado, os bancos públicos foram fortalecidos, de igual maneira as empresas estatais, e a Petrobras jogou um papel de organização saliente da economia brasileira. Iniciativas destinadas a realização de investimentos em infraestrutura como o Programa de Aceleração do Crescimento PAC, mobilizaram a economia e levaram benefícios para amplas parcelas da população. O Brasil com a política externa altiva e ativa passou a jogar um papel de destaque concerto das nações, sendo peça decisiva na articulação dos BRICS, e no fortalecimento da integração regional. Distinto de outras épocas, a política externa foi instrumento do desenvolvimento nacional.

Como vimos poucas vezes no Brasil, o país cresceu e conseguiu distribuir renda. Foram mais de 36 milhões de pessoas retiradas da linha de pobreza, foram mais de 20 milhões de postos de trabalho criados e o salário mínimo teve uma política inédita de valorização, que proporcionou ganhou reais de 71,5%. Além das mais de 6,8 milhões que realizaram o sonho da casa própria, e outros 15 milhões que obtiveram acesso à energia elétrica.

Não obstante, erros e limitações também se fizeram presentes. Algumas próprias de uma experiência nova, outras resultado de incompreensões de fundo da força que liderava a condução do processo político governamental.

A nosso modo de ver o principal erro foi haver subestimado a questão nacional e a não haver alterado a supraestrutura do Estado, com a realização de reformas estruturais, aspecto que impôs limites ao próprio projeto. Não foi realizada uma reforma política democrática, não se realizou uma reforma nos meios de comunicação, reforma tributária, embora com muitas inflexões políticas no tripé-macro econômico, ousamos pouco na política cambial o que não ajudou a retomada da atividade industrial.

Subestimações de igual modo se deram na pouca compreensão e vacilação com respeito ao poder político, ao poder de conduzir o Estado. O real republicanismo é fazer valer a vontade do povo, que elegeu o chefe do executivo para conduzir o país, e não estimular a autonomia de estamentos do Estado.

A falta de compreensão em torno do poder político corroborou para a não compreensão de que havia um golpe em curso. Desde a décima conferência do nosso partido, em maio de 2015, vínhamos afirmando que se gestava um consorcio golpista que buscava apear as forças democráticas e progressistas do poder. Buscamos ao longo deste período, não só alertar, mais sugerir caminhos e meios para evitar o golpe. O golpe era evitável. Nos fica uma lição com respeito ao exercício do poder, ele existe é para ser utilizado, exercido em plenitude; do contrário, se é expelido dele.

O PCdoB, apesar das restrições colocadas por aliados, teve a oportunidade de apresentar o talento de seus quadros políticos na gestão pública, executando importantes iniciativas como a Copa do Mundo, as Olimpíadas, a política de Ciência e Tecnologia & Inovação, Defesa Nacional, Setor estratégico da Energia, em, especial, Petróleo, Gás e Biocombustíveis, Cultura, com destaque, para o setor do Cinema, do audiovisual, Saúde Pública, Juventude, Educação, entre outros. Também temos responsabilidades com erros, bem como os acertos, que devem ser vistas com o nosso tamanho e o poder de incidência que tínhamos no governo.

Está no DNA do PCdoB a defesa das coalizões como uma necessidade de governabilidade do Brasil, e a defesa intransigente do Estado Nacional como vetor decisivo para o crescimento.

Talvez entre nossas limitações, nos faltou sermos mais ousados nas disputas eleitorais, na relação dialética de unidade e luta com o PT, faltou aparecermos com mais cara própria, difundirmos mais nosso programa, que até mesmo pela nossa militância ainda é pouco assimilado. De modo autocrítico, o Projeto de Resolução, ora, em debate, assinala que na questão da democratização do Estado, foram limitadas e de pequeno alcance as iniciativas do Partido para persuadir e pressionar o governo quanto à necessidade de uma Reforma do Estado.

Esta rica experiência, continuará a ser avaliada e estudada por um longo período. Nos resta, nesta fase extrair dela os aspectos mais importantes para fazermos a disputa que se dará em 2018. O que deve nos guiar não é o saudosismo, ou o autoflagelo dos erros cometidos. Devemos beber na fonte deste legado que pertence a todas as forças que contribuíram com sua construção e apresentar um projeto renovado que recupere a rota do desenvolvimento e da soberania nacional.

III – Fortalecer o PCdoB e elevar seu papel na luta política

Estimados companheiros que constroem o partido diariamente.

Na atual quadra da luta política, na cada vez mais complexa sociedade brasileira, a exigência de uma força como o Partido Comunista do Brasil se faz necessário. Um partido forte, com solidez ideológica, flexibilidade e amplitude tática, que compreenda a natureza e os anseios do nosso povo, uma força organizada, com ampla militância em distintas esferas da sociedade e com unidade política e de ação.

O PCdoB tem tido clareza ao se posicionar no curso desta crise. Desde o primeiro momento, travou a luta de ideias denunciando a existência de uma ameaça golpista; se posicionou nas ruas e no parlamento na defesa da democracia e do mandato da presidenta Dilma Rousseff; buscou criar saídas, como a proposta da realização de um plebiscito sobre a antecipação das eleições presidenciais; e tem realizado determinada oposição ao governo Temer. Destacou-se demonstrando identidade própria, combatividade e clareza política.

O partido de ideias e ação – instrumento de transformação

O PCdoB percorreu uma longa trajetória, onde fecundou e desenvolveu seu pensamento político e ideológico, contribuindo para o desenvolvimento do marxismo-leninismo, sob o ângulo da realidade brasileira.

O partido é um instrumento da ação política e nós lutamos é pelo poder político, por transformar a sociedade em benefício da ampla maioria da população. No entanto, sem uma política justa, não desempenhamos papel e nos isolamos no curso acontecimentos. É por isto que temos que nos orientar para estarmos no centro da luta política, pois é nela que se constrói ideológica, política e organizativamente o Partido Comunista.

Este é o desfio do PCdoB, ser uma organização grande, com militância diversificada, forte presença entre os trabalhadores, com quadros comprometidos com nosso programa. Precisamos falar largamente com a sociedade, apresentar nossas proposições, buscar maior visibilidade, se diferenciar política, eleitoral entre as forças políticas.

O PCdoB deverá buscar dialeticamente contribuir para a construção de uma Frente Ampla, e ao mesmo tempo aumentar seu protagonismo na luta política. Construir uma agenda, campanhas próprias e renovada ação seja no movimento político e de massas, seja na disputa de ideias na sociedade.

Vamos aproveitar a nossa pré-candidatura e realizar filiações, apresentação do PCdoB e de seu programa. Devemos nesta batalha crescer nossas fileiras, apresentar nossas ideias, difundir nosso programa.

Camaradas, devemos dedicar tempo e esforços a organização e funcionamento do partido. Seja em suas bases, nas cidades estratégicas, das capitais, valorizando a condição do militante, característica de nossa identidade.

Camaradas, a participação política organizada, eleva consciência de um povo e sua luta por transformações.

Não podemos descuidar do Partido. Dar atenção ao trabalho nas três esferas de acumulação – luta de massas, luta de ideias e luta institucional. É da simbiose delas que emerge nossa força e nosso diferencial enquanto partido. Para os próximos anos, tendo em mira o centenário de nossa legenda em 2022, exige-se um Partido com ação planejada, mais unido, mobilizado, estruturado e autossustentado, principalmente nas capitais e munícipios estratégicos.

Edificar e estruturar o PCdoB é uma tarefa estratégica que tem três dimensões básicas: a política, a ideológica e a organizativa. Construir o Partido não é algo restrito aos camaradas que atuam no setor da organização. Longe disso. É uma tarefa de todos, sublinho, de todos os membros do Partido, de todas as frentes de atuação.

Desde golpe de Estado, com a criminalização indiscriminada da política, aumentaram as adversidades para construção do Partido. Mas, a realidade vem demonstrando que, com sagacidade, amplitude, flexibilidade, e empreendendo a resistência ativa, é possível preservar as forças e buscar um crescimento de caráter mais consciente, intensivo estruturado.

Considero que as 9 diretrizes fixadas para a construção do Partido pelo Projeto de Resolução têm se revelado apropriadas e condizentes.

Disputar a hegemonia com o nosso Programa Socialista; Persistir no Planejamento: Mais ações e campanhas políticas de massa; Priorizar a estruturação na classe trabalhadora; Dar sequência a essa grande iniciativa, o PCdoB Digital; Fortalecer nossa unidade; Estruturar o Partido desde os Comitês Municipais, Distritais, desde as Bases; Mais trabalho teórico-ideológico, mais Formação, mais Comunicação; Financiar as atividades partidárias, tendo como base a contribuição militante, todo empenho para o êxito da Campanha Nacional de Contribuição Militante.

Atenção especial deve ser dada a contribuição militante, dimensão estratégica do trabalho de construção partidária. Existem inúmeros exemplos de exitosas campanhas de arrecadação, nas quais devemos nos espelhar. É tarefa de todo o partido, pôr foco no esforço de atingirmos as metas de arrecadação.

Nossos movimentos devem ter iniciativa, buscar propor ações em conjunto e próprias, e da mesma forma devemos dar atenção à ação institucional. Construir marcas próprias do Partido, marcas distintivas com vistas a impulsionar suas batalhas eleitorais. O PCdoB em sua gestão no Maranhão e em Aracaju tem muito a demonstrar.

Fortalecer a presença de trabalhadores e trabalhadoras no Partido, compreender as transformações que estão em curso no processo de produção e que irão delinear o novo operário.

Estamos na antevéspera das celebrações do centenário do glorioso Partido Comunista do Brasil. Somos, orgulhosamente, o Partido mais longevo de atuação em nosso país, e, ao mesmo tempo, somos o partido do novo, da sociedade do porvir, do socialismo. Somos uma força da esquerda consequente, patriótica, anti-imperialista e que luta pelo socialismo nas condições concretas do Brasil. Devemos dar início aos preparativos desta grande celebração do centenário do partido e do bicentenário da Independência do Brasil.

IV – O Brasil vive uma acirrada luta política em um quadro singular

Desde que as forças de direita sofreram sua quarta derrota consecutiva nas disputas eleitorais presidenciais, o país tem vivido uma tensão em espiral. A quebra da normalidade democrática, com a realização de um impeachment sem base legal, fragilizou as instituições e o equilíbrio entre os poderes. O combustível da dinâmica política bebe na instabilidade e na imprevisibilidade que se retroalimentam velozmente, não existindo uma única semana sem um fato grave no cenário político nacional. Este quadro é conformado por uma sequência de crises múltiplas e simultâneas, que modelam o ambiente atual.

O Brasil está imerso em um sentimento difuso de descontentamento, de apreensão e certa desesperança. Os anos de recessão, o desemprego recorde, a quebra de setores estratégicos da economia contribuem para a degradação da situação social. Impera um mal-estar generalizado, e uma aparente sensação de impotência perante a situação constituída. A principal expressão disto está é nos dados, segundo os quais 47% da população se sente envergonhada em ser brasileira. São fatores com os quais a mídia alimenta o descrédito na política. A população está com fadiga de o noticiário ser dominado por temas de corrupção, com cansaço de não encontrar soluções para seus problemas.

Um governo ilegítimo contra o Brasil e o povo

O golpe em curto espaço de tempo tem produzido sequelas graves ao Brasil e sua gente. Desde sua realização temos vividos imersos em uma radical agenda de desmonte do Estado e de quebra de direitos. Promove-se uma célere desconstrução do texto constitucional de 1988. Os instrumentos de planejamento, indução e execução do desenvolvimento nacional, como BNDES, Petrobras, Eletrobrás, estão sendo destroçados, ou no mínimo inviabilizados.

Os cortes orçamentários em ciência e educação podem inviabilizar importantes pesquisas para o país, e o deixar definitivamente de fora do processo de transformação da produção.

A ociosidade da capacidade instalada da indústria chegou a 63%, o que significa que ficam parados mais de 30% dos equipamentos, máquinas e instalações. O Brasil teve sua pior taxa de investimento dos últimos 20 anos, com indicadores pífios próximos a 15% do PIB. Enquanto isto, os rentistas drenam 45% do orçamento, além dos imponentes lucros na casa dos 16,4%.

O atual governo tem desmontado os mecanismos de financiamento de longo prazo, privatizado empresas estratégicas para o desenvolvimento brasileiro, como é o caso da Eletrobrás, e procura rever a lei que concede aos estados o regime de partilha do pré-sal.

A reforma trabalhista que entrou em vigor no começo do mês de novembro, arrancou em curto espaço de tempo mais de 100 itens da CLT, precarizando o trabalho, e gerando inclusive perda de receita para a previdência social, que hoje é colocada como a grande vilã das contas públicas. O desemprego entre os jovens e adolescestes chega a 26%, e de acordo com o IBGE o número de pessoas que não possuem uma casa para morar soma mais de 6 milhões. O problema da segurança pública ganha dimensões alarmantes, de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, sete pessoas foram assassinadas a cada hora no Brasil em 2016. A crise nos estados e municípios leva distintas unidades a declararem estado de solvência, ampliando a precariedade dos serviços públicos.

As consequências destes fatos para o Brasil são profundas e colocam em risco em nosso país o comum projeto político independente e autônomo. Por isso deve ser dado um basta imediatamente ao governo ilegítimo que tomou de assalto o Congresso Nacional!

O governo Temer e o PSDB são reféns de si mesmos, colhem hoje a tempestade que plantaram com o impeachment sem base legal. A sede pelo poder de uma elite conservadora colocou o Brasil em uma situação profundamente delicada.

O governo Temer, com toda sua fragilidade e vulnerabilidade, tem o apoio do grande capital, de parcelas do poder Judiciário e dos meios de comunicação. Ao longo dos 18 meses que se encontra ocupando ilegitimamente a cadeira presidencial, aprovou o que quis no congresso – utilizando os métodos mais reprováveis. Derrotou a ofensiva que contou com apoio da Globo, arquivando dois pedidos de investigação contra ele feitos pela PGR.

Em meio à turbulência política, o governo Temer dá sinais de que chegará até o fim do mandato que usurpou, buscando influir inclusive no processo da sucessão presidencial. Os próximos meses serão marcados por iniciativas destinadas a atacar direitos com a criminosa reforma da previdência, mesmo que mitigada, e abrir aos interesses estrangeiros o pré-sal; no entanto, o centro da conjuntura tende a fluir para as composições e disputas em torno das eleições de 2018.

Centro da luta política se volta para as eleições de 2018

Ressaltamos a disputa presidencial de 2018 como a principal arena da luta de classes, no presente período. O PCdoB buscará protagonismo nesta disputa. Irá contribuir para abrir veredas e novos rumos para o Brasil.

Teremos uma uma eleição presidencial atípica pelas particularidades de ocorrer após uma fratura democrática, e épica pois o país, uma vez mais se depara com uma encruzilhada histórica entre dois projetos antagônicos. Ou o Brasil seguirá sob às rédeas do campo político conservador em transição à uma ordem liberal, neocolonialista e autoritária; Ou nosso país, sob a direção de uma Frente Ampla, de caráter democrático, popular e patriótico, reverterá as medidas regressivas do governo ilegítimo e se prepara a retomada de um novo projeto nacional de desenvolvimento.

Nesta batalha que irá se desenvolver nos próximos meses, a defesa da democracia e do respeito à soberania do voto popular terá papel relevante.

Outros fatores tendem a incidir sobre o processo da disputa política de 2018. No quadro das crises simultâneas que vivemos, fatores como as ações desestabilizadoras do Partido da Lava Jato, os impactos e desdobramentos da situação econômica, e o fenômeno da antipolítica podem incidir sobre o curso da disputa eleitoral. No entanto, o anseio de uma mudança da atual situação e a ânsia por esperança da grande maioria da população tendem a pautar a disputa política. No debate de projetos, a bandeira da esperança está em nossas mãos.

Partido da Lava Jato também se prepara para a disputa de 2018

O PCdoB se pauta pelo zelo e defesa do patrimônio público e defende eficaz combate à corrupção. Entretanto, tem uma leitura crítica da Operação Lava Jato.

O grande partido de oposição aos governos Lula e Dilma era a grande mídia. No entanto, nos últimos anos se formou uma nova coalizão, informal, indireta que reúne expoentes do Ministério Público Federal, do poder Judiciário e da polícia federal, somados à parte dos meios de comunicação, em particular a Rede Globo. A esta coalizão temos denominado de Partido da Lava Jato, o principal fator de desestabilização do país. O protagonismo político dos expoentes da Lava Jato é indevido, fere a democracia e o sistema de contrapesos entre os poderes.

Por motivos muitas vezes distintos, seus objetivos se cruzam e conformam uma agenda messiânica de combate à corrupção, atuam de modo autônomo aos interesses do Estado ao se apoiarem em governos estrangeiros para buscar seus objetivos. Criminalizam a política e buscam implodir o atual sistema político.

Vivemos numa linha tênue entre o Estado Democrático e o Estado de exceção. As garantias constitucionais são relativizadas, transplantam de modo acrítico modelos e conceitos jurídicos de outros países, provenientes do combate ao crime organizado. Mantêm prisões por tempo indevido, violam garantias constitucionais como o direito ao devido processo penal, a inversão da presunção de inocência pela presunção de culpa, além de recorrentes vazamentos seletivos.

A população começa a se dar conta de que a Lava Jato tem motivações políticas, que não atinge o presidente ilegítimo, e a seus amigos com malas e apartamentos lotados de dinheiro. Prevendo o desgaste, a Lava Jato se organiza para participar da disputa das eleições de 2018, com dois focos. O primeiro é constituir uma bancada comprometida com os pilares da operação: delação premiada, prisão em segunda instância, condução coercitiva e restrição do Foro Privilegiado. O segundo e principal objetivo continua sendo o esforço sem tréguas, e sem lei, de retirar do ex-presidente Lula seu legítimo direito de concorrer às eleições presidenciais de 2018. Seria este ato a consumação do golpe. Reafirmamos neste momento, uma vez mais o legítimo direito de Lula concorrer às eleições. Sua exclusão do processo irá ampliar a instabilidade e a crise institucional que estamos vivendo.

Campo conservador busca um candidato para levar adiante a agenda do golpe

O campo das forças conservadoras possui um objetivo estratégico: encontrar um candidato que consiga fazer a disputa política e ganhar no voto a continuidade da agenda de desmonte e ataques aos direitos que tem implementado no país. Disputam entre si o espólio do golpe, e a possibilidade de liderar uma coalizão que conduza a um novo ciclo político no país com uma agenda neocolonial e neoliberal como norte.

Embora em posição de vantagem, por estar no comando do país, por contar com apoio da mídia e de parcelas do Judiciário, o campo conservador encontra dificuldades em materializar seu objetivo. As últimas pesquisas indicam que nenhum dos nomes do PSDB, principal partido do campo conservador, ultrapassava 1% nas intenções de voto espontâneas, e não passava de 7% nas intenções de voto estimulado. O candidato derrotado nas últimas eleições presidenciais, Aécio Neves, é, de acordo com pesquisas, recordista junto com Temer em rejeição pela população.

A bandeira do antipetismo que tremulou ao longo dos últimos anos nas mãos das forças conservadoras encontra resguardo em uma candidatura de matriz fascistoide que está em segundo lugar nas pesquisas, e que pode ser vista de modo instrumental por setores conservadores.

Outro expoente que expressa traços fascistoides é o MBL, um movimento que, dito liberal, se embandeira do conservadorismo e se propõe a conformar uma bancada com nomes espalhados por distintas siglas de direita. Correntes fascistas, com feições próprias, não são algo completamente novo no cenário político brasileiro, basta lembrar a força do movimento integralista na década de 1930. No entanto, mesmo com grandes fragilidades, sua colocação nesta posição requer que olhemos com mais atenção os motivos de seu ressurgimento, e o que lhe dá força.

A autoflagelação do PSDB partido, que nas últimas quatro eleições foi o principal expoente das ideias e do programa do mercado, abre uma disputa por quem poderia ocupar este espaço. Diversos nomes surgem, com maior ou menor grau de relacionamento dos operadores do sistema financeiro. É neste contexto que nomes de fora da política tradicional são ventilados a todo instante. Buscam alguém que consiga ter potencial eleitoral e confiança na aplicação da agenda. Nunca é demais recordar o quanto são irresponsáveis e aventureiras as parcelas cosmopolitas e rentistas das nossas elites. Seu compromisso não é com o Brasil, e sim com suas taxas de lucro e ganho financeiro.

O Espectro do espectro de centro continua fluido e em disputa

O campo político de centro é fluido e disperso. Ele é impactado pela desmoralização da política e pelo cansaço da campanha messiânica contra a corrupção. Parcela destes setores se sentiu ludibriada com o impeachment e percebeu que depois que a presidenta Dilma foi afastada, suas vidas pioraram, a corrupção generalizou-se, seus direitos estão ameaçados. É um setor silencioso, que em muitos casos vestiu a camisa da antipolítica, mas que, no entanto, tende a participar do debate e votar na eleição presidencial, que no Brasil tem uma força mobilizadora única. Parte das legendas e parlamentares de centro com presença no Congresso Nacional atuam sob uma espécie de pacto de sangue com o governo ilegítimo. É chamado Centrão. Existe também uma expressão deste campo, que se encontra em distintos partidos, e que toma distância do governo ilegítimo.

No geral as forças de centro sempre se associaram a outros polos da política e tiveram dificuldades em apresentar nomes próprios aos pleitos presidenciais. As forças de direita utilizam a candidatura de Jair Bolsonaro para se apresentarem como uma alternativa ao centro, que teria no outro extremo a figura de Lula. Flertes também são feitos com alguns nomes que buscaram se projetar como uma terceira via, e nesta disputa nomes oriundos do poder Judiciário buscam divagar por estas correntes. Os setores democráticos e de esquerda devem fazer o debate político e programático com este campo, e ganha-lo para um projeto político, para um projeto de Nação.

As forças de esquerda apresentam nomes e debatem projetos

As forças de esquerda e democráticas se posicionam na disputa eleitoral. Reconhecendo o papel e a liderança do ex-presidente Lula e seu direito a disputar o pleito, os distintos campos políticos apresentam nomes e começam a realizar um rico e intenso debate de projetos e programas. Como temos afirmado, não nos basta produzir um discurso saudosista, pois, embora o povo tenha boas lembranças do passado, ele hoje deseja mais. Cabe-nos, a partir das experiências vividas, colocar no centro os aspectos essenciais da luta pela retomada do projeto nacional de desenvolvimento.

Somos e estamos no mesmo campo. Os nomes que surgem para a disputa eleitoral possuem a legitimidade e a força de suas ideias. O ex-presidente Lula será o centro das eleições sendo ou não candidato, sua participação ou não no pleito irá determinar os rumos do jogo político pelo seu peso, e pelo que representa na sociedade. Tem estado em plena atividade política, realizando caravanas e buscando fortalecer seu partido, o PT. Do mesmo modo, Ciro Gomes em seus debates públicos país afora. Lula é, e será, um aliado do PCdoB, igualmente o PDT de Ciro. Ambos são herdeiros da corrente política dos trabalhadores que se gesta na histórica greve de 1917, e que anos depois resultou na fundação do Partido Comunista, em 1922.

Estimados camaradas, devemos neste momento debater projetos, tecer diálogos, construir caminhos com vistas à superação da crise. O papel das forças de esquerda e democráticas é conformar uma Frente Ampla, política e social em torno dos desafios políticos que devemos enfrentar. Uma Frente em que a esquerda tenha um papel de destaque, mas que não se restrinja a ela. Devemos buscar ganhar o centro político, que é a ampla maioria da sociedade brasileira e construir convergência entre as forças de esquerda. Aqui reside o caminho da vitória.

PCdoB: uma força política de audácia e consequência

O PCdoB, com seus 95 anos de existência, busca ser uma força política consequente e com audácia, para propor novos rumos para o país. Não é por menos que somos o partido do socialismo, da busca do desenvolvimento soberano e do progresso social. Participamos ao longo de nossa história dos principais acontecimentos políticos do país, de todas as manifestações em defesa da nação e por liberdade, democracia e os direitos dos trabalhadores. Ao participarmos de governos, demonstramos que sabemos administrar, que temos quadros capazes para cumprir as mais variadas tarefas que se apresentam. No PCdoB não há espaço para aventuras e voluntarismo. Somos reconhecidos por aliados e oponentes como uma força consequente e de grande compromisso com o povo brasileiro e com o país. É justamente por nossa longevidade, experiência e coerência política que estamos credenciados a apresentar uma pré-candidatura presidencial.

Estamos credenciados a disputar as eleições presidenciais, como bem demonstra, o grande êxito do governo Flávio Dino no Maranhão, e de Edvaldo Nogueira em Aracaju. No Maranhão são 500 obras entregues em mil dias, obras que tem mudado a vida das pessoas, elevando a autoestima do povo. A gestão exitosa anda em conjunto com o trabalho de construção partidária, o partido avança no Maranhão, sua delegação é a maior do nosso congresso. Ambos governos são a prova de que os comunistas são capazes de administrar, de governar bem, devem servir de vitrine na disputa eleitoral que se avizinha.

V – Saídas para o Brasil – Um novo projeto nacional de desenvolvimento

No centro do debate de 2018 está o projeto de país. Para o PCdoB não basta um conjunto isolado de iniciativas, de medidas, por mais valiosas que venham a ser. O país requer um projeto que dê norte, que seja o vértice destas ações, que oriente aonde se deseja chegar, que trace um caminho de como materializar as enormes potencialidades do Brasil e de sua gente.

O Brasil vive uma encruzilhada, e na disputa eleitoral de 2018 teremos que fazer a pergunta: O que queremos como Nação? Que país queremos ser? Que papel queremos jogar no concerto das nações? Como iremos tratar nossas disparidades internas e vulnerabilidades internas? Queremos ser o país que regride para o mapa da fome e do trabalho escravo, ou uma nação desenvolvida, que valorize o trabalho, a produção e a distribuição de renda? Queremos ser um país alinhado de modo subordinado às grandes potências, ou buscarmos, de forma autônoma, construir nossa inserção internacional? Queremos ser eternamente produtores de commodities, ou desenvolvermos uma indústria 4.0?

Trata-se de uma intensa luta de ideias que está em curso no país e que deve ser amplificada nos próximos meses. Quais são os projetos para o Brasil? A busca de alternativas, de novos rumos precisa estar assentada num amplo movimento de ideias avançadas. Neste esforço, que requer energia e dedicação, o PCdoB estará empenhado nos próximos meses. Nossa pré-candidatura é instrumento deste debate, será interlocutora dos que se dispõem a pensar o Brasil e seu projeto de Nação.

A batalha de 2018 tem como objetivo central derrotar a agenda neoliberal e neocolonial que se articula para apresentar um candidato que expresse sua agenda em 2018. O mercado centrará suas forças no nome que possa vencer e dar continuidade à essa agenda que está em curso no Brasil.

Nação, Produção e Direitos

Necessitamos abrir veredas, dar novos rumos ao país com uma agenda que fortaleça a Nação, a Produção e os Direitos – transformar isto em bandeiras palpáveis e compreensíveis para amplas parcelas da sociedade, permitindo nos comunicarmos com a população.

A grande tarefa é o esforço de reconstrução nacional. Recompor as bases do Estado brasileiro, recuperar a soberania. A questão central, repito, é conformar um bloco, uma Frente Ampla política e social que tenha por entendimento a retomada do crescimento e a construção de um projeto nacional de desenvolvimento; superar a crise e retomar o crescimento econômico.

Plataforma – Elementos para uma plataforma mínima:

Fortalecimento do Estado Nacional
Retomada do crescimento com foco na inserção do Brasil nas cadeias produtivas mais dinâmicas da economia e um programa de reindustrialização
Ampliar a taxa de investimento em educação, tecnologia e inovação
Reforma tributária progressiva
A reforma política do Estado – Tornar o Estado mais democrático, realizando reforma dos meios de comunicação, e do sistema judiciário.
Deter as medidas de desnacionalização da economia brasileira.
Reverter a emenda constitucional que cria o teto dos gastos públicos, a reforma trabalhista e a da previdência.
Fortalecimento do Sistema Unido de Saúde;
Ampliar a oferta de educação pública e de qualidade, como instrumento de mobilidade social;
Políticas públicas de emancipação e de combate a violência contra as mulheres, adotando políticas que assegurem seus direitos na esfera do trabalho, na educação,
Promoção da igualdade social para os negros;
Respeito a liberdade religiosa e combate as descriminações; e o respeito a livre orientação sexual;
Nossa pré-candidatura presidencial

Camaradas;

Conforme expresso em nosso projeto de resolução ao Congresso, temos debatido ao longo do último ano a conveniência de apresentarmos uma pré-candidatura, que fortalecesse nosso projeto eleitoral e nossa força política. Levamos em consideração o ambiente e o diálogo com nosso campo político, como também o próprio debate interno.

O PCdoB já participou de outras contendas presidenciais. Em 1930, o militante comunista, líder operário, vereador no Rio de Janeiro, Minervino de Oliveira, disputou as eleições presidenciais pelo Bloco Popular e Camponês (BOC), dado que o partido vivia na ilegalidade na época. Em 1945, apresentamos o nome de Yedo Fiúza, ex-prefeito de Petrópolis, um amigo do PC do Brasil. Sua campanha foi marcada pela defesa das liberdades democráticas e por bandeiras programáticas do Partido. Naquela oportunidade obteve 10% dos votos.

Na atual quadra, não temos condições de jogar parados. A nova legislação nos obriga a mantermos o funcionamento da bancada parlamentar, com uma cláusula de desempenho de 1,5% em nove estados, e que crescerá progressivamente.

Ao longo destes meses, o debate evoluiu, e nele surgiram nomes excepcionais de nosso Partido para esta tarefa. Não é qualquer organização que dispõe de um elenco de nomes para assumir uma tarefa desta magnitude. Somos um partido pequeno, que há poucos anos teve parte de sua inteligência dizimada pelas forças da repressão, e hoje apresenta um conjunto de quadros com a qualidade política dos que temos – o que é algo diferenciado no cenário nacional.

Somos uma força aglutinadora do campo progressista e avançado da sociedade brasileira. E para desempenhar este papel à altura das exigências de nossa época, reforçando nosso papel no campo democrático e de esquerda, contribuindo para o debate programático que irá se desenvolver nos próximos meses, avançamos na apresentação de uma pré-candidatura presidencial.

A unidade política e de ação que paira sobre o PCdoB nos possibilitaram em nossa última reunião do Comitê Central aprovar por unanimidade o nome de Manuela D´Ávila como pré-candidata presidencial do PCdoB.

Manuela iniciou sua atividade política em 1999, na União da Juventude Socialista (UJS), foi vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE). Em 2004, com 23 anos, foi eleita a mais jovem vereadora de Porto Alegre, já tendo cumprido dois mandatos como deputada federal, sendo líder do PCdoB na Câmara dos Deputados. Em todas suas eleições foi a mais votada. Manu, que é jornalista de profissão, atualmente é deputada estadual pelo Rio Grande do Sul. Sua atuação parlamentar é reconhecida, foi indicada três vezes pelo Diap como uma das 100 “Cabeças” do Congresso Nacional e cinco vezes ao Prêmio Congresso em Foco.

Seu nome possui todas as características que debatemos e se enquadra no ambiente da disputa eleitoral, podendo se tornar um fato importante na disputa presidencial. As eleições de 2018 serão definidoras sobre qual rumo país vai seguir.

O PCdoB entrou pra valer nesta disputa, Com Manuela, pré candidata, o PCdoB irá interagir com o povo e os setores amplos da Nação. Com a bandeira da Frente Ampla nas mãos, Manuela vai dialogar com a esquerda, com as forças democráticas, populares e patrióticas. Irá ao encontro do grande anseio nacional de tirar o país da crise e encaminhá-lo para novos rumos de desenvolvimento e progresso. Manuela representa a força renovadora da juventude, a capacidade realizadora de nosso povo, a competência, a sensibilidade, a coragem da mulher brasileira

A pré-candidatura de Manuela é meio para propagar a identidade partidária, e suas ideias programáticas, na forma de uma agenda de saídas para a crise que o país atravessa – esperança para o povo e a nação. Que realize amplo diálogo com setores da sociedade, ultrapassando nossas fileiras, e a base social do petismo. Buscando, assim, firmar um novo lugar e a identidade do Partido no novo ciclo político que se abre. Uma pré-candidatura que desmascare a antipolítica, que defenda a participação e valorize a política como forma de mediação dos conflitos e consensos na sociedade. Trata-se de um instrumento do centro da nossa ação tática, que é construir uma frente ampla. O PCdoB não será obstáculo para a unidade, buscará construir, a partir do debate programático e de ideias sobre os desafios do Brasil, como sair da crise e enfrentar seus problemas estruturais.

Sinuosos como os rios amazônicos são os caminhos da luta em defesa da Nação e pelo socialismo

Estimados camaradas,

Encerro estas palavras de abertura do 14º Congresso do PCdoB,

Apesar das adversidades, das imensas dificuldades, a Nação e a classe trabalhadora poderão superar essa grave crise que o país atravessa. Estamos convictos de que se conseguirmos dar passos na constituição da Frente Ampla, o campo democrático, popular, patriótico poderá vencer as eleições presidenciais de 2018. Como bem disse nossa pré candidata Manuela, o Brasil é o maior que o medo e o ódio. O PCdoB sairá deste 14 Congresso determinado a reacender a esperança do povo brasileiro. O Brasil pode vencer, o Brasil vencerá !

O curso da luta pela construção de uma nova sociedade no Brasil é sinuoso como os rios amazônicos, é acidentado como as ladeiras de minha Olinda, mas o brasileiro é um valente, igual ao sertanejo, tem coragem. E o nosso horizonte é tão vasto como é a chapada. “Faz escuro, mas eu canto, porque a manhã vai chegar” (Thiago de Mello).